Internacional

Israel se diz disposto a continuar negociações de paz e critica o Irã


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Tel Aviv - O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, afirmou ontem que seu país está disposto a avançar no processo de paz e a deixar para trás as tensões das últimas semanas, depois do ataque do Exército israelense a navios que levavam ajuda humanitária à Gaza no dia 31 de maio. Barak fez as declarações antes de se reunir com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, com quem discutirá o bloqueio a Gaza e a retomada das conversas diretas entre israelenses e palestinos.

“Estamos comprometidos a trabalhar junto com a secretária para tentar encontrar a maneira de seguir adiante com o processo de paz em Israel, e deixar de lado todas as dificuldades que surgiram nas últimas semanas”, disse Barak. Por sua parte, Hillary deu as boas-vindas a “um velho amigo”, de quem destacou que, “sem dúvida, está envolvido em cada decisão importante que afeta a segurança de Israel e as perspectivas de paz”.

Segundo antecipou o Departamento de Estado, Barak e Hillary devem discutir a situação da Síria e do Irã, e a ameaça para a segurança de Israel que representam os grupos Hamas e Hizbollah.

Vão para Teerã

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, pediu ontem para os ativistas que participam das missões com ajuda humanitária para Gaza levarem o auxílio para Teerã, onde ele diz que as verdadeiras violações dos direitos humanos existem. “Eu peço a todos os ativistas dos direitos humanos do mundo - vão para Teerã, é lá onde existem violações aos direitos humanos”, disse Netayahu.

“Após nós levantarmos o bloqueio a Gaza não existe razão ou justificativa para mais frotas humanitárias”, disse o premiê. “Esses barcos foram organizados por àqueles que se opõem à paz, não àqueles que a apoiam”, concluiu. Netanyahu afirmou que uma lista com os produtos proibidos de entrar em Gaza será divulgada nos próximos dias.

O chefe da agência de refugiados das Nações Unidas para os palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) disse que tem dúvidas sobre o alívio do bloqueio israelense à Gaza. O comissário-geral Filippo Grandi chamou o bloqueio de “absurdo, contraproducente e ilegal” e disse que certos elementos do plano de Israel para o relaxamento da contenção militar da região não estavam claros de como seriam implantados.

“Eles estão falando de itens que serão permitidos algumas vezes e em outras circunstâncias não, dependendo de para quem eles serão entregues. O plano ainda está muito complicado”, disse Grandi. “Nós vemos longas declarações de como eles irão fazer, mas o problema são os detalhes. Nós temos que ver como isso será feito e ainda não vimos nada. Queremos fatos, pois as condições na região estão muito ruins”, completou o comissário.

Ele também pediu que Israel abrisse a passagem de Karni, no nordeste de Gaza, para que grandes quantidades de cimento, materiais de construção e ajuda humanitária possam entrar na região.

Condenação

Também ontem, a Turquia e outros 12 países do sudeste europeu denunciaram o ataque israelense de 31 de maio contra a frota humanitária que seguia para Gaza, que acabou com nove ativistas mortos.

Os países fizeram a afirmação na declaração final do Processo de Cooperação do Sudeste Europeu, que serve para integração da região dos Bálcãs. Na documento eles pediram “uma investigação imparcial, independente e internacional sobre o assunto” e melhoras na situação da faixa de Gaza.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, afirmou que o Egito rejeita com veemência a tentativa de Israel de renunciar sua responsabilidade com à Faixa de Gaza e repassá-la para o Cairo. Falando para parlamentares, o presidente disse que a prioridade do Egito é acabar com o bloqueio israelense em Gaza.

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