Uma pesquisa realizada pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado de São Paulo (Procon-SP) revelou que o consumidor que controla sua conta bancária e não extrapola os serviços essenciais gratuitos pode gastar menos se contratar tarifas avulsas, ao invés de fazer uso dos pacotes padronizados de serviços.
Entretanto, o grande problema que causa o gasto excessivo é gerado pelo desconhecimento da utilização e real necessidade de ações nas contas por parte dos próprios consumidores. Uma das ferramentas que pode facilitar o controle das movimentações bancárias é a Internet, que viabiliza o acesso gratuito à conta em todos os momentos do dia.
De acordo com o levantamento divulgado pelo Procon, que envolveu dez bancos (Banco do Brasil, Bradesco, CEF, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco), os valores das tarifas dos serviços prioritários e dos pacotes padronizados em cada instituição apontam que tarifas avulsas podem pesar menos no bolso dos consumidores que têm controle de suas contas.
A pesquisa foi realizada utilizando como base de análise o perfil hipotético de um cliente que se caracteriza como pessoa física, titular de uma conta corrente que utiliza regularmente os principais serviços necessários à movimentação e controle de sua conta.
Nesses casos, foi evidenciado que um grande número de correntistas paga nos pacotes padronizados oferecidos por suas agências bancárias um valor mais alto em comparação com o que seria gasto se ele optasse por adquirir os serviços extras de maneira avulsa.
Ou seja, grande parte dos consumidores acaba gastando mais dinheiro com operações que extrapolam os serviços disponibilizados gratuitamente pelos bancos porque não têm conhecimento das reais necessidades que possuem em relação a operações bancárias.
Educação financeira
Segundo o economista bauruense Wagner Ismanhoto, este reflexo se deve ao fato dos brasileiros não possuírem uma educação financeira mais ampla.
“Não podemos generalizar, mas uma porcentagem considerável da população não possui organização ou controle de sua vida financeira. Alguns não controlam nem o canhoto do talão de cheques. Eu diria que está melhorando, hoje os consumidores estão mais preocupados. Mas falta muito para ser uma avaliação ideal”, pondera Ismanhoto ao definir o alto crescimento das instituições financeiras como reflexo deste “descaso” que os correntistas demonstram em relação às suas contas.
Algumas dicas ressaltadas pelo economista para os consumidores alcançarem maior equilíbrio em suas contas bancárias tratam de princípios básicos da economia, como utilizar apenas o dinheiro que realmente possui guardado na agência, não gerar a necessidade do cheque especial e diminuir as aquisições de serviços.
“Além disso, para ter a vida financeira em controle, o correntista tem que fazer uma conta relativamente simples. Ele tem que relacionar, em média, o que consome. Por exemplo, uso dois talões de cheques, consulto tantas vezes meu extrato e preciso de certa quantidade de transferências. Então, ele coloca tudo isso na ponta do lápis, consulta os valores cobrados pelo banco, analisa os pacotes oferecidos pela agência e vê o quanto ele gastaria nas duas situações e o que seria mais conveniente”, destaca Ismanhoto, que revelou fazer uso do pacote padrão por ser mais viável para sua modalidade de movimentações.
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Serviços gratuitos
A pesquisa da Fundação Procon ressalta ainda que os serviços bancários essenciais (gratuitos) pré-estabelecidos pelo Banco Central são: cartão de débito; 10 folhas de cheque por mês; fornecimento de segunda via do cartão de débito, exceto nos casos de pedidos de reposição formulados pelo correntista; até quatro saques, por mês, em guichê de caixa, inclusive por meio de cheque ou de cheque avulso ou em terminal de auto-atendimento; dois extratos contendo a movimentação do mês por meio de terminal de auto-atendimento; duas transferências de recursos entre contas na própria instituição, por mês, em guichê de caixa, em terminal de auto-atendimento e/ou pela Internet; compensação de cheques; consultas pela Internet; um extrato consolidado, até 28 de fevereiro de cada ano, a partir de 2009, discriminando mês a mês as tarifas cobradas no ano anterior; remessa domiciliar de um talão de cheques por mês e renovação do cadastro.
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Internet pode ajudar no controle
Entre as dicas do economista Wagner Ismanhoto para o controle dos gastos com a manutenção da conta bancária estão os canais abertos pelas instituições financeiras que podem servir como facilitadores na hora de organizar a vida financeira, em especial a Internet.
Ismanhoto frisa que os consumidores contam com a possibilidade de acessar todas as movimentações bancária sem pagar nenhuma taxa através dos computadores.
“Hoje os bancos possuem uma quantidade bem menor de funcionários dentro das agências justamente porque muitos serviços são disponibilizados fora dos prédios, principalmente com o uso da Internet. Esta inovação acaba por reduzir os custos operacionais dos bancos e os correntistas também devem usar este canal para o mesmo fim, facilitando o controle da conta e economizando em serviços”, afirma.
Para finalizar, a pesquisa divulgada pelo Procon-SP definiu que, com base no perfil hipotético do titular de uma conta corrente que utiliza os principais serviços necessários à movimentação e controle de sua conta, “o cliente que tiver controle de sua conta e não extrapolar as quantidades pré-estabelecidas das tarifas essenciais gratuitas gastará em média R$ 5,20, valor este bem inferior à média do pacote padronizado de R$ 14,90, que corresponde a uma diferença de 186,54%”.
Define ainda que “os serviços utilizados pelo perfil hipotético são diferentes dos oferecidos no pacote padronizado, já que o pacote padronizado é para cliente que movimenta a conta corrente só com cartão (sem cheque)”.