A greve nacional dos médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que realizam as perícias em pessoas que estão afastadas do trabalho, ganhou anteontem o reforço dos profissionais da gerência do órgão em Bauru - que reúne outras cidades da região. O movimento tomou proporção após o presidente Lula ter vetado o pedido de jornada menor feito pela categoria.
Quase a totalidade do quadro de médicos peritos da gerência de Bauru, que tem pouco mais de 50 funcionários, aderiu à paralisação, segundo representante da categoria.
“Nós estamos cumprindo apenas os 30% (de pessoal na ativa), que é o que o governo exige do presencial nas agências. Todos os peritos da gerência de Bauru estão engajados no movimento”, afirma André Coelho, médico perito e delegado da gerência de Bauru.
Os profissionais reivindicam redução na jornada de 40 horas para 30 horas semanais sem cortes de salário, carência para a solicitação de um novo benefício para os assegurados que tiverem o pedido negado, redução da agenda de atendimento, mais equipamentos de segurança nos postos, entre outros.
“Por exemplo a pessoa que faz a perícia e tem o pedido negado pode tentar obter o benefício várias vezes. Antes não era assim, se o pedido fosse negado, a pessoa tinha que esperar 30 dias para tentar novamente. Isso aumentou muito o número de atendimentos ultimamente”, explica Coelho. Por dia, são feitas cerca de 35 mil consultas no País.
Benefícios
As perícias servem para que os assegurados afastados por motivos de doença ou acidente recebam benefícios do INSS após o 15º. dia fora do trabalho. O pagamento só é liberado após o médico perito comprovar a alegada incapacidade do solicitante.
André Coelho ainda reivindica que os resultados das perícias não sejam divulgados pelos próprios médicos. “Quando o pedido é negado, muitas pessoas ficam revoltadas. Isso gera uma violência em ambiente de trabalho. A pessoa deveria buscar o resultado depois, na agência”.
De acordo com o médico perito eles aguardam uma posição do governo para saber qual será o andamento da greve futuramente.
“Até o momento eles não se posicionaram. Não recebem ninguém”, frisou. O atendimento em Bauru não foi prejudicado, entretanto, segundo Coelho, a paralisação da categoria da gerência de Bauru não tem previsão de término.
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Histórico
No fim de 2003 e início de 2004, os médicos peritos do INSS realizaram uma greve de 73 dias. Em setembro de 2006 eles fizeram uma paralisação nacional de dois dias, que teve adesão mínima.
Entre maio e junho de 2007 outra greve durou uma semana, em consequência da morte de um médico perito em Minas Gerais - o profissional foi assassinado por um segurado dentro do posto do INSS após saber o resultado de uma perícia. Em 2008 a categoria decidiu fazer pequenas paralisações semanais às quartas-feiras.
No ano passado os peritos decidiram fazer uma operação padrão e reduziram, por conta própria, o volume de consultas por dia. Neste ano eles prometem greve por tempo indeterminado.