O jogo Portugal e Brasil criou uma sadia dúvida para os bauruenses de Portugal e para os descendentes que torcem para o Brasil. O empate resolveria a apreensão que o jogo de hoje promete, a partir das 11h (horário de Brasília). O resultado igual classifica os dois selecionados e não obrigaria ninguém a se decidir por uma ou outra camisa. O português João Pinto Alves, 67 anos completados anteontem, diz que irá torcer para Portugal. Já o filho de portugueses Geraldo Pereira Ferreira, 73 anos completados no dia 6 de maio último, diz que torcerá para o Brasil.
Alves comenta que sua torcida será tranquila porque entende que o jogo não tem a mesma importância do que a próxima fase, disputada em mata-mata. Ele comenta que cumpre a obrigação patriótica de torcer para Portugal quando o jogo é contra o Brasil. A Seleção Brasileira é sua preferência quando joga com “uma outra qualquer”. “Amanhã (hoje), nem vou torcer muito porque vai ser um jogo tanto faz como perder ou ganhar. Vou torcer bem sossegadinho”, define Alves. Geraldo prefere um empate. “Estou com medo porque Portugal está forte. Viu o que fez contra a Coreia do Norte”, preocupa-se.
Para Alves, Geraldo tem realmente com que se preocupar em relação à Seleção Portuguesa. “Sinceramente, Portugal vai dar muito trabalho. Porque Portugal ficou muito chateado com aquela derrota por 6 a 2 em Brasília. Eles achavam que o Brasil não precisava ter massacrado e vão entrar realmente para tentar ganhar o jogo”, define Alves.
O português avalia que o futebol das duas seleções são parecidos e reconhece que o Selecionado Canarinho tem mais craques. “O Brasil tem 190 milhões de habitantes e Portugal tem 11 milhões. Só aí você vê que a diferença é bastante grande”, argumenta Alves. O torcedor português explica que o objetivo da seleção de seu País é chegar pelo menos à fase de quartas-de-final.
“Quem ganhar do Brasil, fica sempre na história. Convenhamos que o Brasil é o melhor do mundo e sempre foi”, ressalta. Ele lembra que na Copa da Inglaterra, em 1966, Portugal desclassificou o Brasil na primeira fase e fez ótima campanha porque tinha o jogador Eusébio. Em 1974, Alves trabalhava na Alemanha e assistiu a jogos do Brasil.
José Pereira Ferreira veio de Leiria para trabalhar em uma serraria em Bauru. Aqui conheceu Fausta Pereira Pacheco, também filha de portugueses. O casal sempre teve muita relação com a família Martha. Dessa união nasceu Geraldo Ferreira. Ele comenta que o Comendador José da Silva Martha é quem trouxe seu pai para Bauru. Assim, a família se estabeleceu na cidade. Geraldo destaca que hoje torcerá com o coração partido pelo apreço que tem pela cultura portuguesa. Herdou do pai a paixão pelas tradições lusitanas.
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Uma família portuguesa em Bauru
O português João Pinto Alves comenta que deverá assistir ao jogo de hoje com o filho Ricardo Filipe, também nascido em Portugal assim como os irmãos Maria João e João Paulo. A única brasileira é a caçula Marina Mirela. Alves é casado com Maria Helena, que está em Portugal, na casa da filha mais velha Maria João e que voltou a Portugal há cerca de 11 anos.
A família chegou ao Brasil no dia 1 de abril de 1975 e foi residir em Tupã. Em 1976, Alves se instalou em Bauru e meses depois, em janeiro de 1977, trouxe a família para Bauru. Alves e Maria Helena são proprietários da Cojal Comercial, especializada em parafusos. Na família, Alves acredita que a filha Maria João naturalmente torça para Portugal. “Os daqui não se pronunciam muito na minha frente. Mas acho que a obrigação deles é torcer pelo Brasil”, destaca.
Alves é torcedor do Esporte Clube do Porto e lamentou que neste ano o Benfica tenha sido Campeão Português, quebrando uma sequência de quatro títulos consecutivos do Porto. “Nos últimos 30 anos, o Porto já foi 17 ou 18 vezes campeão nacional. Foi duas vezes campeão europeu, já ganhou uma Copa da Europa e já ganhou a Copa Intercontinental”, comemora. Para ele, o Porto está muito à frente dos outros clubes portugueses.
O Noroeste também foi uma paixão mais intensa de Alves. “Já fui meio louquinho aqui pelo nosso Noroeste. Mas depois o Noroeste caiu um pouquinho, a idade foi chegando e eu perdi a ilusão. Ainda vou várias vezes ao campo”, comenta. Alves diz nutrir uma simpatia pelo Vasco da Gama e pela Portuguesa de Desportos. “Gosto de ver jogar o Santos atualmente com essa molecada, porque gosto de ver futebol bonito”, finaliza Alves.