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Ar condicionado e o tempo seco agravam doenças respiratórias

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Instalar e manter um equipamento de ar condicionado exige cuidados específicos. Limpar o aparelho corretamente, por exemplo, pode garantir menor consumo de energia e evitar que bactérias alojadas se espalhem pelo ambiente e prejudiquem a saúde. O cuidado deve ser intensificado considerando o clima seco e ar muito fresco, que agrava doenças respiratórias.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu regras para que os sistemas de climatização não sejam uma ameaça à saúde, considerando que o projeto e a execução da instalação inadequados e a manutenção precária dos sistemas de climatização favorecem a ocorrência e o agravamento de problemas de saúde.

O empresário Vitor Carlos de Oliveira faz mensalmente a limpeza nos três aparelhos de ar condicionado de seu estabelecimento. “Como recebemos muitas pessoas, o cuidado se torna ainda mais necessário. Um ar cheio de impurezas coloca em risco a saúde das pessoas que têm contato com ele”, destaca.

Oliveira se preocupa em garantir a limpeza especializada de técnicos com o intuito de evitar acúmulo de poeira. A diferença é notável, conforme afirma o gerente do local, João Paulo Sodré. “Manter o sistema limpo ajuda a manter o ambiente agradável, purificado. Após a limpeza dá para sentir essa diferença”, diz Sodré

O engenheiro mecânico Célio Montes Gallego Júnior trabalha há sete anos como especialista de instalação e manutenção de sistemas de climatização. Segundo ele, a maioria dos estabelecimentos que comercializam equipamentos de ar condicionado não contempla o planejamento adequado ao instalar o aparelho.

“Identifiquei um nicho no mercado, que indica a necessidade de um engenheiro especializado que planeje a climatização em qualquer ambiente”, afirma. De acordo com Gallego, antes de dispor um sistema de climatização, deve-se levar em conta o tamanho da área, o número de pessoas que utilizam aquele local, a luminosidade, se há área de vidro e a incidência do sol da tarde.

“Nesse estudo é preciso averiguar a necessidade do cliente em cada ambiente, e ao mesmo tempo, se preocupar com o conforto térmico, o consumo de energia e a estética”, avalia.

Calor

Outra recomendação indica que o ar condicionado deve ser instalado em ambientes totalmente abertos, sem incidência de calor e de estufa. “A implantação do sistema deve ser realizada junto a arquitetos, ainda durante a construção da obra. Tenho clientes exigem a instalação com o imóvel em fase de acabamento, o que é errado”, acrescenta Gallego.

De acordo com o engenheiro, outra falha cometida decorre da falta de planejamento ao introduzir o equipamento em lugares inadequados. “Por exemplo, acima de uma cama, o equipamento irá insuflar ar gelado enquanto a pessoa dorme. É um local errado para instalação”, adverte.

É muito importante também, ao dimensionar o sistema, delimitar o número de pessoas que vão utilizar aquela área. “Dependendo da quantidade de pessoas que vão passar pelo espaço, a ração de ar deve ser regulada de forma que garanta o conforto térmico - que se refere a uma temperatura amena, adequada para que a pessoa não sinta muito frio nem muito calor - varia entre 23º e 24º graus, em qualquer ambiente”, ressalta.

Equipamentos eletrônicos que estão no ambiente também interferem no controle da temperatura, tais como geladeiras, computadores e televisores. “Se esses cuidados não forem considerados antes de implantar o sistema de climatização, o ar condicionado poderá estragar mais cedo ou consumir mais energia do que o normal. Cada local exige um aparelho específico, seja um salão de festas, uma residência, um escritório etc.”, salienta.

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Manutenção deve ser periódica

Após concluir uma instalação bem-sucedida do sistema de climatização, o próximo passo é realizar uma manutenção de quatro a seis meses. “A evaporadora, um componente interno do equipamento, succiona o ar e fica sujeita a acumular sujeira. Em estado deplorável, essa acumulação de poeira gera colônias de microorganismos”, explica o engenheiro mecânico Célio Montes Gallego Júnior.

Assim, é preciso realizar periodicamente uma limpeza completa, processo se chama assepsia. O engenheiro indica que a poeira atrapalha também o funcionamento da bobina do ar, que faz com que o ar evapore e gele. “A sujeira pode atrapalhar a velocidade com que funciona a bobina”, indica.

A vida útil do ar condicionado é de 12 anos. Quanto mais utilizado o aparelho, mais ele precisará de limpeza. Gallego orienta, além da assepsia, que uma vez por mês os filtros simples do equipamento sejam lavados.

“A pessoa deve retira o filtro simples, lava, e põe ao sol. Mas a parte interna, que acumula fungos e ácaros, precisa ser manejada por um técnico especializado”, esclarece.

No mercado existem modelos de equipamentos mais modernos de ar condicionado que possuem o filtro plasma, elemento que permite criar uma camada eletrostática, eliminando assim oito vezes mais as bactérias, ácaros e fungos.

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