Esportes

Copa 2010: Jogo decepciona angolanos, português e os brasileiros

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

As poucas emoções do jogo Brasil e Portugal foram compartilhadas ontem por um grupo de angolanos e o comerciante português João Pinto Alves, convidados a assistir ao jogo com os colaboradores do JC no espaço Café com Política. Ao final da partida, o futebol econômico dos jogadores decepcionou a todos.

O Brasil contou com a torcida dos angolanos que estão em Bauru estudando e a trabalho. Os estudantes de mecânica na Unesp Paulo Jessé, 28 anos, e Miguel Rafael, 27 anos, e o arquiteto formado pela Unesp Mondlane Joaquim, 28 anos, e o estudante do Colégio Fênix Admires da Rosa, 15 anos, se mantiveram mais discretos na torcida pelo Brasil.

Vez ou outra, achavam graça nas trocas de provocações entre os brasileiros e Alves, que está no Brasil desde 1975. O curioso é que Alves e os angolanos divergem também na preferência por clubes do futebol português. Ele é Porto em Portugal. Jessé e Rafael torcem para o Benfica e Joaquim para o Sporting.

Mesmo em lados opostos na torcida por Seleções e clubes, todos concordaram que o jogo Brasil e Portugal foi ruim. Rafael se disse insatisfeito com a postura que o Brasil demonstrou. Em sua opinião, a Seleção Portuguesa merecia ganhar porque foi superior à Brasileira. “Ainda bem que o Brasil não perdeu e saiu em primeiro lugar em sua chave”, ressalta.

Ele avaliou o jogo como faltoso e desaprovou o temperamento “cabeça quente” do volante Felipe Melo, substituído ainda na primeira etapa da partida para não ser expulso e deixar o Brasil com dez para o restante do jogo e desfalcar a Seleção no confronto das oitavas-de-final, nessa segunda-feira. Em tom de brincadeira, Jessé pediu desculpas a Alves e disse ao português: “O jogo foi ruim porque Portugal não perdeu”.

Joaquim se expressou como um comentarista esportivo. Ele resumiu o futebol praticado por portugueses e brasileiros como “pobre”. Para o angolano, faltou ousadia ao técnico Dunga. “O time jogou mal e dependeu do Lúcio para armar as jogadas”, completa.

Um bocadinho

Durante o jogo, Alves mostrou insatisfação quando Raul Meireles perdeu gol feito para Portugal, aos 15 minutos do segundo tempo. “Não pode errar gol assim. Ele chegou atrasado um bocadinho”, descreveu o torcedor. No lance, o jogador português tinha pela frente Júlio César, o melhor goleiro da atualidade, e que ainda desviou a bola para escanteio, antes do choque com adversário.

No primeiro tempo, Alves comemorou ao perceber que uma finalização do atacante Nilmar foi para fora. O brasileiro arrematou de primeira uma bola cruzada na área portuguesa, que bateu na mão do goleiro Eduardo, para, ainda, tocar no travessão antes de sair. “Essa jogada foi muito boa e, agora, Portugal vai aprender”, definiu.

Solitário na torcida pelo selecionado português no Café com Política, Alves disse que nas oitavas-de-final torcerá pelo Brasil. Ele avalia que o time de Dunga terá dificuldades se enfrentar equipes mais agressivas. Para ele, Portugal terá cumprido sua missão se chegar à fase de quartas-de-final na Copa da África do Sul.

Ele disse que o jogo de ontem foi bom, mas retrancado. “Como Portugal poderia ganhar sem centroavante”, questiona Alves. Após os 26 minutos da segunda etapa, a insistência do placar de 0 a 0 só aumentou a apreensão dos torcedores.

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Fã de Robinho

Durante todo o jogo, o adolescente angolano Admires da Rosa permaneceu atento ao confronto, sentado praticamente imóvel na plateia do espaço Café com Política do JC. Não fez nenhum comentário. A ausência do atacante Robinho – o jogador brasileiro ficou no banco ontem – tirou a graça do jogo para o menino de Angola. Ele é fã de Robinho. Admires salienta que não gostou do jogo porque tinha a expectativa de assistir a mais um show de Robinho.

Ao comentar as virtudes do avante brasileiro, o adolescente angolano abre um sorriso que permaneceu escondido durante toda a partida. Ele enumera o arsenal de dribles do jogador, a ginga, a rapidez, a simpatia e as dancinhas com uma definição econômica: “Ele parte para cima”.

Admires mostra que entende de futebol porque realmente nenhum jogador brasileiro se arriscou a tirar os portugueses para dançar. Ou seja, ninguém tentou intimidar o adversário com o futebol arte que encanta Admires. Apenas o zagueiro Lúcio demonstrou vontade de vencer ao arrancar várias vezes, sobretudo no segundo tempo, carregando a bola desde o campo de defesa do Brasil.

Admires estuda em Bauru e joga futebol sempre que tem oportunidade. Como muitos adolescentes de sua idade, ele se disse bom de bola e que gostaria de ser jogador de futebol. E adivinhe quem ele gostaria de ser nesta carreira? A resposta está na cara...

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