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Copa 2010: Clássico europeu resgata confrontos do passado


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Se o futebol banalizou o termo “clássico”, Alemanha e Inglaterra tratarão de colocá-lo em seu devido lugar.

Será impossível olhar para o gramado do estádio Free State hoje, às 11h, em duelo válido pelas oitavas de final, e não lembrar da decisão de 1966, no velho Wembley.

Pode não ter mais a elegância do confronto Beckenbauer x Bobby Charlton, mas certamente Klose e Rooney, atuais expoentes de cada uma das seleções, carregarão para o campo o legado histórico de seus antecessores.

“Pena que chegou cedo demais. É (uma partida) digna de semifinal, não de oitavas”, disse Beckenbauer, ele próprio uma testemunha do céu e do inferno germânicos diante dos rivais europeus.

Em 1966, o Kaiser perdeu. Presenciou o único título mundial da Inglaterra na história. Viu, depois de um 2 a 2 no tempo normal, o famoso “gol de Wembley” - um chute de Geofrey Hurst que suscita dúvida até hoje: a bola ultrapassou realmente a linha do gol após bater no travessão e quicar no chão?

Os alemães garantem que não. Os ingleses têm a certeza que sim. Talvez, se já existissem as super câmeras lentas captando até mesmo a deformação da bola ao ser cabeceada, essa discussão nem existisse. Mas teria graça?

Curiosamente, 1966 foi o último grande momento inglês no duelo, que era então dominado pelos lordes.

Antes, haviam sido disputados sete amistosos, que começaram com um 3 a 3 em Berlim, em 1930, e seguiram com seis derrotas alemãs.

Tabu

O orgulho da geração do Kaiser só começou a mudar a partir de 1968, numa vitória por 1 a 0 em Hannover.

A partir daquele 1º de junho, virou o lado da moeda.

Em Copas, os germânicos nunca mais foram batidos. Em 1970, Beckenbauer iniciou a reação nas quartas de final. Os 0 a 2 viraram 3 a 2 na prorrogação. Em 1982, um 0 a 0. Na semifinal de 1990, na Itália, 4 a 3 nos pênaltis.

Foi naquela ocasião que o atacante Gary Lineker resumiu o sentimento britânico perante o clássico: “O futebol é um esporte jogado por 11 contra 11 e no qual a Alemanha sempre ganha no final”.

Nos jogos decisivos pela Eurocopa, os tricampeões mundiais também reinaram.

A fé inglesa reside em duas datas. Em 1º de setembro de 2001, Michael Owen calou Munique ao marcar três vezes na goleada (5 a 1) pelas eliminatórias para a Copa.

No último encontro, em 2008, a Inglaterra venceu em Berlim por 2 a 1. Lá, onde o clássico começara há 80 anos, o zagueiro Terry marcou no final. Lineker estava errado. Às vezes, a Alemanha também perde no final.

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Löw se destaca com estilo franco e maleável

Maradona se mostra incomodado quando jornalistas têm informações sobre seus treinos fechados. Dunga não gosta de dar explicações sobre suas decisões no time. Fabio Capello esconde sua escalação, como quase todos seus colegas no Mundial.

Essa cortina de ferro que os treinadores tentam impor sobre suas equipes inexiste justamente na Alemanha.

Não há assunto proibido para o técnico Joachim Löw, que foge dos chavões da Copa-2010 às vésperas de enfrentar a Inglaterra.

O time perde com a saída de Schweinsteiger? “É o coração da equipe. Será uma desvantagem. Mas nós temos Tony Kroos”, responde ele, já indicando o substituto.

A discussão entre Capello e o beque John Terry afeta o time inglês? “Não acho que discussão entre jogador e técnico seja ruim. São profissionais. Não é o fim do mundo. São ambiciosos, e isso pode ser proveitoso”, analisa.

Qual o ponto fraco de sua seleção no momento? “Depois de Gana, fui crítico com o time. Principalmente os atacantes. No final dos lances, não fomos suficientemente bem nos passes.”

O estilo franco de Löw também serve para acabar com chavões que dominam este Mundial. Não há entrevista anterior ao jogo em que os treinadores garantam ter dado todos detalhes sobre o adversário aos jogadores.

Questionado sobre as informações que repassaria sobre os ingleses, disse que há um limite a ser absorvido pelos atletas. Depois, suas mentes ficam bloqueadas, diz.

A postura aberta do técnico alemão também se reflete em campo. Juntamente com Klinsmann na Copa-2006, de quem era assistente, iniciou a implantação de um futebol mais ofensivo e dinâmico.

Foi uma geração que tirou a gravata do futebol alemão, preferindo o blazer que ostenta Löw. É verdade que o antecessor de Klinsmann, Rudi Völler, também não usava terno, mas em nada mudou a cara da seleção nacional da época de Franz Beckenbauer.

Aos 50 anos, Löw é técnico há 14 anos, seis na seleção alemã. Sua mentalidade mais moderna não o faz esquecer a tradição do clássico contra a Inglaterra.

Citou até que viu a final da Copa-1966, da qual garante se lembrar, apesar de, na época, ter só seis anos.

Tudo isso não o livra de, às vezes, repetir práticas de outros (treinos fechados) ou soltar um chavão futebolístico. “Esperamos uma Inglaterra com 110% de esforço”, analisou.

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Com lesão abdominal, Cacau desfalca Alemanha

O atacante da seleção alemã Cacau desfalcará a equipe na partida contra a Inglaterra pelas oitavas de final da Copa do Mundo em Bloemfontein por conta de um estiramento num músculo abdominal, disse a federação alemã ontem.

“Essa lesão não permitirá que ele jogue contra a Inglaterra”, disse o diretor técnico da seleção alemã, o ex-jogador Oliver Bierhoff, ao site da federação (www.dfb.de). Cacau, que nasceu no Brasil e se naturalizou alemão para jogar pela seleção do país, sofreu a lesão durante o treinamento na sexta-feira.

“Estamos trabalhando nisso para que ele esteja pronto para a próxima partida. Estamos confiantes que estará”, acrescentou Bierhoff.

O meio-campista Bastian Schweinsteiger, com um problema em um músculo da coxa, e o defensor Jerome Boateng, com lesão muscular na panturrilha, farão um teste no sábado que avaliará se terão condição de jogo.

“Veremos se eles se recuperaram suficientemente de suas lesões ao ponto de poderem treinar normalmente com o resto da equipe”, disse Bierhoff.

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