A arquitetura eclética surgiu no final do século 8 e início do 19, no auge do período do café. Está vinculada à questão econômica, foi utilizada por grandes agricultores que, com o dinheiro do ‘ouro negro’, construíram verdadeiros palacetes para viverem na área urbana. Os imóveis exibiam elementos decorativos na fachada, considerada símbolo de status.
Na região de Bauru, Jaú tem mais de 450 casarões preservados com incentivos municipais. Em Dois Córregos, são os donos de imóveis históricos que tratam de conservá-los a fim de manter a memória. Em Bocaina, a área central da cidade é formada por verdadeiros palacetes da época do café.
Quanto mais decorada a fachada, mais abastado era o morador, explica a pesquisadora Daisy de Morais. A arquiteta defendeu tese de mestrado na Universidade de São Paulo (USP) sobre arquitetura eclética dos barões do café no Vale do Paranapanema.
“Os barões do café tentavam provar, com a fachada dos casarões, que eram ricos, que tinham ido para a Capital, no caso São Paulo, e também para a Europa, onde tinham visto fachadas modernas. Eles queriam dizer que, embora morassem em cidade de menor porte, podiam ter uma residência semelhante a que viram em países europeus.”
O movimento, e não um estilo, ressalta a pesquisadora, tem uma conotação pejorativa no meio arquitetônico, porque unia vários estilos diferentes na fachada do imóvel. “Tinha elementos do estilo barroco , art noveau e tantos outros, por isso a conotação pejorativa de mau gosto. Como se de repente colocassem coisas que não combinam, mas não é brega.”
Para a arquiteta, cada época tem o seu valor. Os arquitetos modernistas, segundo ela, consideram esse período um horror. “Esse movimento mudou a fisionomia das fachadas. Sai o beiral, que é a última fileira de telha que forma a aba do telhado, aquelas mais avançadas, que tem por função jogar as águas pluviais para próximo da calçada, evitando que elas escorram pelas paredes do prédio. A parte da frente da casa sobe e o telhado fica escondido. Até então, as construções eram feitas no alinhamento das ruas com beirais, tinha portinhas e janelinhas.”
A pesquisadora acha que todo período arquitetônico deve ser valorizado, considerado, porque diz respeito a um período importante das cidades, da economia desses municípios, dos costumes, das novidades. “No caso de Piraju, minha área de pesquisa, a arquitetura estava vinculada ao café. Eram os barões do café que construíam os palacetes. O café avançou da região do Vale do Paraíba em direção ao oeste do Estado. Quando ele chega às cidades, gera economia e desenvolvimento.”
Para a arquiteta, as prefeituras deveriam incentivar a conservação e preservação dos imóveis que representam parte da história. “Dando incentivo para o proprietário recuperar, existem inúmeras formas de fazer isso. Ou a própria pessoa usar o prédio para visitação turística cobrando um ingresso. A preservação é fundamental. É a memória.”