Internacional

Quirguistão decide sobre regime político


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Osh - O governo interino do Quirguistão realiza hoje um referendo sobre mudanças na Constituição apesar de temores sobre a frágil situação de segurança no Sul do país. Na cidade de Osh, a segunda maior do país, mais de 250 pessoas morreram em choques étnicos entre quirguizes e uzbeques neste mês.

Ao admitir ter perdido o controle da região, a presidente interina, Roza Otunbaieva, disse que a votação ajudará a estabilizar o país. Ela assumiu o poder após um golpe, em abril, ter derrubado o então presidente Kurmanbek Bakiev, acusado de corrupção, em revolta que deixou 84 mortos.

E ela precisa da votação para legitimar o governo interino, explicou Lawrence Markowitz, professor de ciência política da Universidade Rowan (EUA). “O governo provisório ocupou o Executivo pela força. O referendo é uma solução “interina’ para legitimar sua posição”, disse.

A população responderá a uma única pergunta: “Você apoia a nova Constituição?”. A nova Carta Magna declara o país uma república parlamentarista, dando mais poderes ao premiê. Estabelece ainda um único mandato ao presidente, entre outras mudanças.

O objetivo é enfraquecer a figura do presidente para evitar ações como as de Bakiev ou de seu antecessor, Askar Akaev, segundo Thomas Wood, da Universidade da Carolina do Sul, em Aiken.

“Desde a independência da União Soviética, em 1991, o Quirguistão teve uma forte Constituição presidencialista, mas os últimos dois presidentes usaram seus poderes para enriquecer a si e a suas famílias. Em teoria, isso pode resolver o problema da corrupção”, disse.

Mas os partidos políticos do país são fracos, e há membros no Parlamento tão corruptos quanto os ex-líderes. “É muito incerto se o novo sistema irá funcionar, ou se a nova Constituição irá produzir apenas governos fracos e um Parlamento paralisado - a última coisa que o Quirguistão precisa agora”, aponta Wood.

A expectativa é que o referendo tenha uma baixa participação, principalmente de uzbeques -que se sentem excluídos pelo governo. Muitos continuam em casa, com medo da violência. Outros apenas começam a voltar do Uzbequistão, onde buscaram proteção.

Uzbeques e quirguizes representam quase a mesma parcela da população do Sul do país. Mas, em Osh, as faixas com informações do referendo estão apenas em russo e quirguiz - o que ajuda a excluir os uzbeques da votação.

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