Quem, ao sair para dar um passeio noturno na cidade, nunca teve a sensação de que determinado ponto da cidade estava com temperaturas menores que as do bairro vizinho? Certamente, muitos bauruenses já notaram tal diferença. Alguns atribuem a sensação ao fator psicológico. Outros não sabem explicar o motivo, apenas sentem a mudança na temperatura.
De acordo com Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, o fenômeno pode ser explicado por uma combinação de fatores, entre eles o relevo, a vegetação e a composição das construções.
“Em Bauru, bairros baixos, como o Jardim Filomena, o Parque das Nações, o Parque Jaraguá e a Vila São Manoel, são nitidamente mais gelados. Isto porque ficam próximos de córregos, o que eleva muito a umidade do ambiente”, justifica.
João Roberto Gomes de Faria, professor do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, acrescenta que, em períodos de ventos fracos, o ar frio, que é mais pesado, tende a descer e, portanto, se concentrar nas regiões mais baixas da cidade.
“Isto é comum no período noturno, quando as superfícies dos solos estão frias. Durante o dia o solo se aquece, esquenta o ar e este efeito desaparece”, detalha João Roberto.
Em Bauru, a sensação de frio pode ser percebida também nas baixadas, que chegam a ter diferença térmica de até 4ºC em relação à outras regiões. Dentre elas estão as da avenida Nações Unidas, que liga ao Núcleo Geisel; a da Vila Falcão, que liga à avenida Duque de Caxias, e especificamente a baixada que liga a Vila Independência à Vila Giunta.
“Há 30 anos, quando foi realizado o último estudo da cidade sobre pontos de calor, foi detectado que a baixada que liga a Vila Independência à Vila Giunta era o ponto mais frio da cidade. Talvez isto tenha mudado, por conta do crescimento dos bairros. Mas posso afirmar que, com certeza, aquela região ainda é um ponto de baixas temperaturas, já que mantém as características de brejo”, avalia Álvaro.
E, a exemplo dos pontos baixos, os bairros altos da cidade também sentem as alterações nas temperaturas. Em Bauru, este fenômeno pode ser percebido em locais como o Aeroclube, a Universidade do Sagrado Coração (USC), a Unesp, entre outros.
“Nos pontos altos da cidade, as temperaturas são mais frias por conta da facilidade de circulação do vento. Geralmente são lugares descampados, sem muitas edificações, ou com uma grande área de vegetação”, explica Álvaro.
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Dia e hora marcada
Neste ano, o inverno começou no último dia 21, às 8h28. Em Bauru, a temperatura permaneceu fria, porém não foi possível notar uma mudança brusca, que permitisse aos bauruenses afirmarem ‘agora, sim, estamos no inverno’. Mas, se a transição entre o outono e o inverno não foi acentuada, porque então a estação é anunciada com data e hora, com direito a minutos marcados para começar?
De acordo com a meteorologista Rita de Cássia Cerqueira Lopes, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, a explicação para tamanha exatidão é simples e resulta de estudos astronômicos.
“O dia e a hora exata do início de uma estação têm a ver com estudos astronômicos. Por meio de tais pesquisas fica determinada a hora exata que os raios solares incidem no Trópico de Câncer e marcam o início do inverno no hemisfério sul, por exemplo”, explica Rita de Cássia.
O horário do início do verão é marcado no exato momento em que os raios solares atingem o Trópico de Capricórnio (veja quadro acima). Já a primavera e o outono são determinados no momento em que os raios solares cruzam perpendicularmente a Linha do Equador.
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Uma estação de sensações
Sabe aquela sensação de que o meteorologista errou na previsão do tempo e divulgou a temperatura incorreta, afinal, aparenta estar muito mais frio que os 20ºC oficiais? Quando isto acontecer, saiba que o erro não foi do meteorologista. Os verdadeiros culpados são o vento e a umidade do ar, responsáveis pela chamada sensação térmica.
De acordo com Fernando de Almeida Tavares, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, a grande intensidade do vento e a baixa umidade do ar, características do inverno, podem provocar a sensação de frio além da marcada pelos termômetros.
“A sensação térmica reflete a percepção de cada indivíduo. Se os termômetros marcam 20ºC, mas o vento está a uma velocidade de 100 Km por hora, por exemplo, as pessoas terão a impressão de uma temperatura de 12ºC”, explica.
De acordo com ele, o vento é capaz de provocar a perda de calor do corpo. Já a baixa umidade do ar faz com que o suor evapore com facilidade, provocando a sensação de frio.
“No inverno as pessoas têm esta impressão acentuada porque já é uma estação fria, além disso, é característico do clima as rajadas de vento e a baixa umidade do ar”, justifica Fernando.
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Entre friorentos e calorentos
A velha discussão acerca de qual é a temperatura ideal do ar-condicionado parece se acentuar toda vez que o inverno anuncia sua chegada. Para alguns, nesta época do ano é melhor que o aparelho permaneça desligado. Já outros defendem que, além de ligado, o aparelho deve marcar uma temperatura de, no mínimo, 24ºC.
O que pouca gente sabe é que tal discussão entre calorentos e friorentos não é caso apenas de preferência: está ligada a questões genéticas. De acordo com a médica endocrinologista Cibele Cabogrosso a forma como a temperatura é percebida pelas pessoas pode variar devido a fatores como hormônio e espessura do tecido térmico.
“A pessoa sente mais frio ou mais calor dependendo de seu metabolismo. Debaixo de nossa pele temos um tecido gorduroso, que é térmico. No caso das pessoas mais gordinhas, este tecido é mais grosso, sendo assim esquenta mais. Já os magros tendem a sentir mais frio”, explica Cibele.
A afirmativa de que homens sentem mais frio que as mulheres também é confirmada pela médica. Ela afirma que tal diferenciação se dá por conta da testosterona, hormônio masculino que também provoca calor.
“As mulheres quase não têm testosterona e, por isso, sentem, sim, mais frio que os homens”, reforça Cibele.
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O perigo ultravioleta
No inverno é comum as pessoas deixarem o protetor solar, que se faz companheiro indispensável no verão. Tal opção parece ter fundamento aparente, já que na estação mais fria do ano o sol não atua com tanta intensidade.
Mas, de acordo com o meteorologista Fernando de Almeida Tavares, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, o inverno tem, sim, raios mais brandos, porém também apresenta baixa nebulosidade, o que significa que o sol e seus raios ultravioletas continuam sendo um fator de alto risco.
“No inverno, por conta da escassez de chuvas, o céu fica mais aberto, sem nebulosidade. Esta característica faz com que os raios ultravioletas não sejam filtrados por nuvens e incidam normalmente sobre as pessoas. Acontece que quase ninguém percebe esta ação, já que o calor típico do alerta não existe”, explica Fernando.