As duas universidades estaduais de Bauru contam com um considerável déficit em seu quadro de funcionários, o que tem representado alguns reflexos no dia a dia dos setores administrativo e acadêmico das instituições. Desde maio, os servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) estão em greve para tentar renegociar questões salariais com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
Em decorrência da greve dos funcionários do campus da Unesp em Bauru, que estão paralisados desde o dia 12 de maio, o professor doutor Roberto Deganutti, diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) e presidente do Grupo de Administração do Campus (GAC), apontou algumas das dificuldades enfrentadas na rotina da instituição.
“Há um prejuízo imenso na parte de compras, que está totalmente paralisada. Vários compromissos de compras não são cumpridos porque os responsáveis por esta área estão em greve, o que atrasa a compra de equipamentos e de todo tipo de material utilizado na Unesp”, destacou Deganutti ao afirmar que este problema é encontrado nas três faculdades do campus bauruense, Faac, Faculdade de Ciências (FC) e Faculdade de Engenharia (FEB).
Além desta questão de cunho administrativo, que também interfere na realidade dos estudantes, Deganutti ressaltou os prejuízos causados pela paralisação da Divisão Técnica Acadêmica (DTA) dos cursos unespianos, o que representa um considerável atraso no planejamento educacional.
“Também existe um prejuízo na parte acadêmica, visto que os DTAs estão paralisados e, com isso, toda a organização para o próximo semestre está bastante prejudicada”, disse ao ponderar sobre o setor de limpeza da faculdade.
“Entretanto, no setor de limpeza não temos problemas porque o serviço é terceirizado. Salas de aula, banheiros e departamentos estão limpos”.
Sobrecarga
O diretor da Faac e presidente do GAC citou ainda a preocupação com os funcionários que não aderiram à paralisação. “Os servidores que não paralisaram estão bastante sobrecarregados. Contamos com algo em torno de 70% a 80% dos funcionários bauruenses em greve, restando poucos trabalhadores para realizar os serviços”, avaliou ao dizer que o campus da Unesp em Bauru possui aproximadamente 500 funcionários.
Deganutti declarou também que as diretorias estão buscando sanar estes problemas da melhor maneira para os funcionários da Unesp, através de conversas com a reitoria. “Temos batalhado muito nesta direção. Todas as semanas, entramos em contato com a reitoria para pedir a retomada da negociação com os servidores. A situação está se tornando muito complicada de administrar”, conclui.
Por outro lado, a professora doutora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, vice-diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP afirmou que alguns reflexos da greve dos servidores da instituição são sentidos na parte administrativa do campus.
“Continuamos com as atividades clínicas dentro do possível. Teve um período mais complicado mas as aulas foram retomadas e estão ocorrendo normalmente, inclusive com reposição dos dias perdidos. Mas o setor administrativo está bastante prejudicado”, destacou sobre a paralisação na USP bauruense, que teve início no dia 24 de maio.
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USP, Unesp e Unicamp
Entre os trabalhadores do campus da USP, o números de grevistas se mantém com cerca de 160 servidores paralisados. Com esta quantidade, o restaurante e a biblioteca da instituição estão paralisados. Além disso, o Centrinho e a clínica de Fonoaudiologia estão com parte de seus quadros de funcionários paralisados, mas sem comprometer o atendimento ao público.
Os servidores da Unesp, USP e Unicamp decidiram pela paralisação com o objetivo de forçar uma negociação acerca do valor apresentado pelo Cruesp como reajuste salarial para a categoria.
De acordo com os sindicatos da categoria, o aumento de 6,57% para servidores e professores proposto pelo conselho das universidades não considera o ajuste realizado em relação ao salário dos professores, que tiveram implementação de 6% em fevereiro, o que quebra a isonomia entre os funcionários das instituições. Agora, os servidores esperam reajuste de 16% relativo às perdas salariais sofridas nos últimos cinco anos pela categoria.
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Judiciário e Trabalho: greve amenizada
Depois de anunciarem paralisação, os servidores do Poder Judiciário estadual de Bauru e funcionários da Subdelegacia Regional do Ministério do Trabalho diminuíram a intensidade do movimento, mas permanecem em estado de greve.
De acordo com o presidente da Associação dos Funcionários do Fórum de Bauru, Vlademir Justo, os servidores do Fórum estadual interromperam a paralisação na cidade, mas o estado de greve continua.
“Diversas cidades do Estado ainda estão paralisadas, mas optamos por voltar às atividades em Bauru porque algumas ações judiciais estão em curso. Com isso, permaneceremos inertes”, definiu Justo. Entretanto, ele garantiu que os servidores podem paralisar novamente a qualquer momento.
Os servidores do Poder Judiciário estadual reivindicam a recomposição de perdas salariais, com reajuste de 20, 16%, além da suspensão do desconto de dias não trabalhados nos salários.
A greve da categoria em Bauru teve início no dia 7 de maio e paralisou as atividades do Fórum por 15 dias. Os trabalhadores retomaram os serviços normalmente dia 22 de maio.
Por sua vez, os funcionários da Subdelegacia do Ministério do Trabalho e Emprego de Bauru, que estão em greve desde o dia 22 de abril, voltaram a oferecer os serviços de emissão de Carteira de Trabalho e atendimento relativo ao seguro-desemprego.
Segundo a diretora do Interior do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de São Paulo, Vera Lúcia Garcia, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) exigiu o retorno de 50% dos funcionários ao serviço.
Ela destacou ainda que a greve tem caráter nacional, com reivindicação ligadas ao Plano de Cargos e Carreiras, e que a categoria obteve uma valiosa vitória ao ter a greve considerada legal pelo STJ.
“Foi julgado que a greve é legal. Com isso, o ponto dos servidores não pode ser cortado e nem podem ser feitos descontos em relação aos dias de paralisação. O pessoal ficou mais tranquilo na paralisação. Deu força para o movimento”, ressaltou ao dizer que a subdelegacia conta com sete funcionários paralisados.