Tribuna do Leitor

SARAMAGO


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José Saramago foi sem dúvida um grande pensador, para criticá-lo me sinto como uma pequena mosca “gad fly” (mosca importuna) na linguagem de Sócrates e tanto Saramago quanto eu não somos nem uma ameba num ponto infinitamente pequeno no universo que chamamos de Terra. Mas infelizmente esse gênio literário foi um cego em relação ao “Bem maior” que é o Criador. “O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são o teu corpo será iluminado. Se teu olho estiver em mau estado, todo o seu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!” (Mateus 6, 22-23).

Saramago foi um sábio que nunca conseguiu sair da caverna de sua “câmara de penumbra”, toda a sua sabedoria se baseou nos reflexos e ecos da parede obscura da caverna onde se manteve prisioneiro toda a sua vida, ele nunca deslumbrou a Verdade da Luz do Criador. Ele expulsou de sua vida qualquer possibilidade de contemplar a Visão Beatífica.

Saramago, com a sua cegueira espiritual, ao ler sobre Abraham e Isaac no Velho Testamento (Gênesis 22), não poderia deixar de ver um deus assassino, como o pessimista que ao ver um copo com água até a metade conclui “está meio vazio” enquanto um otimista vê o mesmo copo “meio cheio”. Saramago é aquele indivíduo descrito por Benjamin Franklin que não consegue ver as coisas boas da vida transcendental, se esse indivíduo se deparar com alguém com uma perna sadia e outra desfigurada sua atenção se concentrará naquela deformada e irá ignorar completamente a perna sadia. Já o grande filósofo luterano, Soren Kierkegaard quando leu a mesma passagem bíblica teve a humildade de reconhecer a misericórdia de Deus por aqueles que têm fé no Seu Plano Divino e têm a graça e a coragem de dar “o salto da fé” confiando inteiramente na Graça Divina.

Saramago, como Judas e Nietzsche, foi incapaz de compreender a compaixão e o amor de Deus e se entronou como juiz do destino do mundo. Nietzsche em sua obra prima “Thus spake Zarathustra” concluiu num ato de desespero que Deus estava morto. Para ele a ética cristã é má porque se baseia no medo, na fraqueza e na humildade por essa razão impede ao guerreiro poderoso e valente de se desenvolver num Super-Homem.

Nietzsche descreve na “alegoria da corda bamba” o homem ético cristão andando sobre uma corda bamba acima de um penhasco, quando ele está no meio do percurso ele se encontra com um homem muito superior a ele, um indivíduo capaz de completo controle de sua natureza (Apolônia de Apolo com tendências para claridade e arte e Dionisíaca de Dionísio com tendências selvagens e irracionais sujeito a desordem) que o derruba no precipício. Esse é o “overman” ou “superman” que deverá dominar o mundo do futuro. Como cristão acredito haver uma alternativa muito superior a essa queda do homem ético cristão que nem Nietzsche ou Saramago puderam compreender.

Quando o cristão está na corda bamba em cima do precipício, ele irá encontrar outro homem vindo em sua direção, esse homem é Jesus, aquele capaz de acalmar a tempestade, de ressuscitar os mortos e de amor infinito por todos nós pecadores, inclusive um Sal Amargo e de se oferecer em holocausto, Ele que não pecou, morre pelos nossos pecados. O intelectual deslumbrado, o político corrupto, o hedonista egoísta e todo aquele que escolher a cegueira espiritual terá sempre dificuldade em compreender o Amor de Deus.

Professor Benedito S. Guedes de Azevedo

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