A leitora Maria Helena Menezes Malmonge, na edição do JC de 20 de junho de 2010, expressa sua opinião favorável ao minidistrito industrial a ser instalado na entrada do Novo Jardim Pagani. Vou comentar alguns pontos de sua mensagem que acredito exigem novo esclarecimento:
Diz ela: ... “Não concordo com esta imposição de não querer que seja construído o minidistrito, pois está em uma área que não é tão próxima das residências.”
Em primeiro lugar, não se trata de nenhuma imposição da Associação de Moradores, pois o assunto, repito, foi objeto de discussão em uma reunião em novembro de 2009 para a qual todos foram convidados. E nessa reunião a grande maioria dos presentes foi contra a instalação do minidistrito.
Em segundo lugar, o minidistrito está sim próximo à área residencial. A primeira rua do bairro está a menos de 100 metros do local que já está degradada pela presença de barracões e pela retífica que ali funciona.
Prossegue ela: “...dentro do bairro existem outros problemas muito mais importantes para serem resolvidos, e não vai ser este minidistrito que vai acabar com o bairro, pelo contrário, ele virá para trazer esperanças para algumas pessoas que querem possuir um espaço no mercado. Quantos empregos serão criados?”
Sabemos que o bairro tem outros problemas, os quais, aliás, estamos lutando para resolver ou pelo menos minimizar com demandas constantes ao poder público e aos moradores do bairro. Isso não justifica a criação de um minidistrito industrial. Muito pelo contrário: os problemas que trará o minidistrito se somarão aos já existentes.
Criação de empregos? Isso é muito discutível. O que vai acontecer é que empresas que estão em outros locais da cidade se transferirão para cá apenas mudando de local os mesmos postos de trabalho, com raras exceções.
Por fim: “Construído, aquele espaço que hoje não está servindo para nada terá outra visão, com certeza estará mais iluminado, pessoas circulando com freqüência, e com tudo isto mais segurança.”
O fato de não haver nada no local não pode nos levar a fazer opções apressadas e inconvenientes para a qualidade de vida dos moradores do bairro. Existem muitas alternativas para o local que são infinitamente melhores para a comunidade do que uma intensificação da atividade industrial que contribuirá, com certeza para a que a já precária infraestrutura do bairro se deteriore ainda mais.
Antonio Morales de Camargo - morador do bairro e 1º secretário da Associação de Moradores do Novo Jardim Pagani