Londres - Em entrevista ao jornal britânico “The Independent”, Mahmoud Zahar, um dos principais líderes do Hamas, afirmou que Israel pode esperar ao menos oito navios destinados a furar o bloqueio à Faixa de Gaza após o término da Copa.
Um mês após o ataque da Marinha israelense contra a “Frota da Liberdade”, o líder disse que as flotilhas incluem navios provenientes do golfo Pérsico, sem mencionar países em específico. Questionado pelo jornal se o Irã participaria das ações, Zahar respondeu: “Por que não?”
Zahar também afirmou ao “Independent” que um acordo foi ignorado por Israel, que visava a troca do soldado israelense Gilad Shalit, em poder do Hamas há quatro anos, por um prisioneiro palestino atualmente detido pelo Estado hebreu. “Até o presente momento a intenção israelense é a de não fazer acordos”, indicou.
Em relação à política das potências ocidentais com o Hamas após o movimento ter vencido eleições na Palestina quatro anos atrás, Zahar disse que as relações do Ocidente com o grupo foram cortadas porque seus líderes se recusaram a ser um “novo Karzai” fazendo alusão ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, que formou alianças com os Estados Unidos e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
“Por que os ocidentais boicotaram o Hamas após a eleição? Porque eles querem um novo Karzai na Palestina”, afirmou.
O líder também culpou o Fatah -movimento islâmico armado que também atua na Palestina- pela “falta de progresso nas conversas de reconciliação entre as duas facções”, de acordo com o jornal britânico.
Violência
Ainda na semana passada o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, advertiu que uma situação de “violência” pode surgir se novos navios tentarem romper o bloqueio israelense sobre território palestino.
Para o ministro, é desnecessário tentar levar a ajuda por mar, especialmente depois que, no último dia 20, foi suavizado o bloqueio a Gaza.
“Poderia surgir atrito que leve à violência, o que é totalmente desnecessário e injustificável com a abertura de Gaza”, alertou Barak na saída de uma reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Segundo ele, as autoridades israelenses não podem aceitar que “ninguém navegue diretamente para a Faixa de Gaza”.