Depois de anunciar estado de greve no último dia 22, os médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) calculam adesão de aproximadamente 95% das unidades nacionais. Em Bauru, onde a categoria aderiu à greve no dia 23 - conforme divulgado pelo JC -, o principal reflexo aos segurados é a demora que já chega a 20 dias para conseguir agendar atendimento.
A informação é do médico perito e delegado da gerência do INSS em Bauru e região, André Coelho. Segundo ele, o movimento tem se fortalecido em todo o País.
“Aqui na região da gerência de Bauru, que abrange Botucatu, Santa Cruz, Avaré, Jaú e Lençóis, já se nota um aumento nas filas. Os agendamentos são realizados para daqui 15 ou 20 dias, aproximadamente”, avalia.
Na avaliação de Coelho, este número ainda é baixo quando comparado com grandes centros brasileiros, como são os casos de São Paulo e Curitiba.
“Temos notícias de que, em São Paulo, o agendamento é realizado para o final de julho, enquanto em Curitiba as consultas chegam a ser marcadas para o final de agosto”, ressalta. “A tendência é as filas crescerem cada vez mais caso o governo não tome uma posição de sentar e negociar com a gente”, analisa.
Impasse
A solução para o impasse parece difícil. Segundo a reportagem apurou, o INSS não está disposto a negociar com os médicos peritos enquanto durar a greve. O instituto recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para pedir a ilegalidade do movimento.
Entretanto, o STJ considerou a greve legal, mas determinou que a categoria mantenha trabalhando 50% do total de 5.400 peritos em atividade no País. Se isso não acontecer, a Associação Nacional dos Médicos Peritos terá que pagar multa de R$ 50 mil por dia.
Sobre a demora nos agendamentos em Bauru, Coelho explica que essa situação não tem como ser vista pela população porque a fila é “virtual”. “Hoje você marca a perícia por telefone. A pessoa não precisa ir até a agência para marcar a consulta, por isso, não serão encontradas filas de pessoas no INSS. A fila é virtual’”, frisa.
Na avaliação dele, o governo não contava com uma adesão tão grande. Por isso, a esperança da categoria é de que isso acabe “forçando” a abertura das negociações.
“Estavam tentando retaliar o movimento, o que a gente já até esperava porque esta é a postura do INSS e do Ministério da Previdência, mas a consideração do STJ nos deixou mais tranquilos”, afirmou o delegado da gerência de Bauru e região.
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Jornada e salários
Os médicos peritos do INSS deflagraram greve por tempo indeterminado em represália a um veto do presidente Luís Inácio Lula da Silva a trechos da lei que mexe com a jornada e a remuneração da categoria.
Na semana passada, o Diário Oficial da União publicou a decisão do governo em barrar a aprovação de uma nova tabela salarial para os profissionais que optaram por reduzir a jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais.
O movimento paredista reivindica também um período de carência para a solicitação de novo benefício para os assegurados que tiverem o pedido negado, redução da agenda de atendimento, mais equipamentos de segurança nos postos, entre outros itens que dissertam sobre a valorização do profissional e segurança no ambiente de trabalho.