Internacional

Israel discute estado palestino só após 2012


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Tel Aviv - Após um tenso encontro com seu colega russo, Sergei Lavrov, que trouxe à tona divergências públicas quanto ao apoio de Moscou ao Hamas, o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, excluiu qualquer possibilidade de criação de um Estado palestino nos próximos dois anos. O anúncio chega no mesmo dia em que o enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, chega à região para mais uma rodada de reuniões com os dois lados do conflito.

A posição de Lieberman frustra ainda mais as tentativas de conversações de paz entre israelenses e palestinos, já paralisadas após o ataque da Marinha de Israel contra o navio turco “Mavi Marmara” no fim de maio e a morte de quatro militantes do braço armado do Hamas no início de junho.

“Eu sou uma pessoa otimista, e não vejo possibilidade alguma da criação de um Estado palestino antes de 2012”, disse Lieberman em reação ao chamado do Quarteto para o Oriente Médio (Rússia, EUA, União Europeia e ONU) para que um acordo fosse atingido em no máximo dois anos.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, deixou claro que aceita as exigências palestinas de um Estado próprio, mas insiste que o novo país não tenha soberania sobre a Cisjordânia, algo que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) não aceita. “Pode-se sonhar e imaginar, mas a realidade na prática é que ainda estamos muito longe de atingir a compreensão e acordos sobre a criação de um Estado palestino até 2012”, disse o chanceler.

O premiê do governo de Mahmoud Abbas, presidente da ANP, indicou que os palestinos podem declarar seu Estado de forma unilateral caso o impasse diplomático continue, mas Abbas já disse que esta não é a solução mais apropriada.

Já o porta-voz da ANP, Ghassan Katib, disse que os comentários de Lieberman representam um desafio aos esforços internacionais em busca de uma solução à questão entre israelenses e palestinos.

Divergências

De acordo com uma reportagem do jornal israelense “Haaretz”, os chanceleres de Israel e da Rússia manifestaram divergências em público, ao concederem uma entrevista coletiva logo após um encontro a portas fechadas ontem em Jerusalém.

Ao contrário dos outros membros do Quarteto, a Rússia apoia e aceita negociar com o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Moscou tem realizado esforços para incluir o Hamas nas conversações de paz entre israelenses e palestinos, algo que é veementemente rechaçado pelo governo de Israel.

Lavrov defendeu abertamente a política russa quanto ao conflito, ao dizer que a “Rússia está fazendo a coisa certa ao contatar o Hamas” e que “não fazer nada não ajudaria a ninguém”, segundo o “Haaretz”.

O chanceler russo acrescentou que durante as conversas com o movimento, o governo russo tem tentado convencer os líderes a mudar o rumo político e apoiar a iniciativa de paz árabe. Lieberman criticou a posição russa afirmando que o Hamas é um grupo terrorista e que é inaceitável lidar com organizações deste tipo.

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