Uma pescaria que nós fizemos ao rio Negro, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, me marcou muito devido o acontecimento do jacaré que pegamos. Nós estávamos acampados às margens do rio, esperando a água limpar - tinha chovido muito e estava muito barrenta a água.
Estavam comigo o Osvaldo, mais um amigo dele, e como a água não limpava e já estávamos cansados de esperar, resolvemos colocar o barco na água e fomos armar diversos anzóis de galho para nos aventurarmos a pegarmos alguns peixes.
No dia seguinte, bem cedo, fomos atrás dos anzóis e encontramos vários deles sem as iscas, mas encontramos um com o galho da árvore vibrando: tínhamos pego algo. Fomos até o galho e, na corda de náilon, comecei a puxar para ver o que tinha no anzol. Aí levei o maior susto da minha vida: dei de cara com a bocarra de um enorme jacaré, que quase virou o barco com o arranco que deu quando se viu preso no anzol.
Nós não conseguimos dar um fim no bichão porque só tínhamos um facão e o danado é bem grande. Deixamos ele bem quieto e fomos pedir ajuda a outros pirangueiros que estavam acampados logo acima de nós e chegando lá contamos a história e eles falaram: "Vamos lá pegar o bruto".
Pegaram uma espingarda com cartucheira e fomos onde estava o jacaré. Com outro barco e mais três pirangueiros conseguimos puxá-lo para fora d'água e com um tiro certeiro demos um fim no bruto. E lá mesmo nós fizemos a partilha da carne.
Naquela noite foi farta a janta para nós, só que a nossa pescaria ficou só no jacaré, porque a água do rio não limpava. Ficamos mais um dia esperando e nada de limpar, então resolvemos voltar para casa.
Despedimo-nos dos companheiros pirangueiros que teimaram em ficar mais uns dias por lá na esperança da água limpar, e na manhã seguinte bem cedinho partimos rumo a Bauru. Foi mais uma pescaria frustrada.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias de pescarias.