Na véspera do confronto pelas quartas de final da Copa do Mundo, o técnico Dunga disse que espera ver em campo uma Holanda ofensiva contra o Brasil. Na opinião do treinador, as seleções vão se arriscar mais, já que o jogo é eliminatório.
“Esperamos que seja uma partida aberta. Como são partidas eliminatórias, as equipes não podem ficar apenas se defendendo. Esperamos que seja uma partida bonita para assistir”, declarou Dunga ontem, em entrevista coletiva.
“Agora, quando o adversário vem para jogar é melhor para o futebol, melhor para o espetáculo. Se tiver espaço para jogar, é melhor para a gente, melhor para o espetáculo”, acrescentou.
Dunga afirmou também que a partida pode ser a melhor do Mundial sul-africano. “Porque as duas equipes tentam jogar, fazem aquilo que todos nós gostamos. Tentam o drible, a jogada individual. Quando as duas equipes jogam dessa forma, o espetáculo fica bom”, argumentou o treinador.
Histórico
Dunga também falou sobre o confronto entre as duas equipes na Copa de 1998, na França. A partida terminou empatada por 1 a 1 e o Brasil só se classificou para a final após levar a melhor sobre os holandeses na disputa de pênaltis.
A curiosidade é que Dunga, então capitão do Brasil, foi o responsável pela última cobrança de pênalti, assim como na conquista do tetracampeonato no Mundial dos EUA, quatro anos antes. Em ambas, o então volante superou a pressão e marcou o gol. “Foi um lance em que eu tinha que reconfirmar tudo que já havia feito em 1994. Caso contrário, iam dizer que só converti o de antes por sorte”, declarou o treinador, que também falou sobre a dificuldade do duelo contra a Holanda há 12 anos. “Muito emocionante, decisivo, [o jogo] foi para a prorrogação. Marcou um dos últimos jogos que fiz pela seleção e acho que tive um bom resultado, não é?”, concluiu.
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Trio tenta igualar Pelé e Garrincha
O trio Kaká, Robinho e Luis Fabiano está a três jogos de igualar uma das marcas obtidas pela famosa dupla Pelé e Garrincha, também “infalíveis” com a seleção brasileira. Com os três juntos, o aproveitamento da equipe é de 100%. Foram 16 partidas e 16 vitórias. Não por acaso, são as principais apostas do técnico Dunga para o confronto de hoje contra a Holanda.
Dos pés e cabeças deles, aliás, saiu mais de um terço das bolas nas redes adversárias - 48 de 125. A sorte dos rivais é que o trio atuou junto apenas em 26% dos 59 jogos sob o comando de Dunga. Pelé e Garrincha jogaram juntos 40 vezes com a camisa nacional. Os números? 35 vitórias e cinco empates, entre 18 de maio de 1958 e 12 de julho de 1966, com a conquista de dois Mundiais.
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Zagallo crê em vitória, mas teme Robben
Acompanhando a Copa-2010 de sua casa, Zagallo fez uma análise da Holanda, próxima adversária brasileira na competição, e disse não temer o rival.
Zagallo foi o único brasileiro que esteve em campo nos três duelos até hoje que a seleção brasileira fez contra a Holanda em Copas do Mundo. Em 1974, era o técnico da equipe que perdeu nas semifinais por 2 a 0 para a famosa “laranja mecânica”, comandada pelo craque Cruyff e o lendário técnico Rinus Michels.
Já em 94 era coordenador técnico do time que tinha como treinador Carlos Alberto Parreira e que deu o troco no rival ao vencer por 3 a 2, nas quartas de final. Depois daquele jogo, o Brasil bateu Suécia e Itália e levou o título.
Quatro anos depois, Zagallo voltou a ser o treinador da seleção que empatou por 1 a 1 com a Holanda no tempo regulamentar e na prorrogação para depois superar o rival na disputa de pênaltis e chegar à decisão, que acabou perdendo para a França.
Zagallo disse que a atual Holanda é um bom time, mas é previsível. No entanto, o ex-treinador alerta para o ponto forte do time laranja, o atacante Robben caindo pelo lado esquerdo da defesa brasileira, onde Michel Bastos chegou a deixar espaços nos primeiros jogos.
“Eles têm uma grande jogada com o Robben. Nós estamos vendo por onde eles vão tentar jogar, que é onde estamos dando chances de tomar gol, pelas costas do Michel. O Chile não soube aproveitar [aquele buraco]. Sempre quando o Michel vinha pra atacar, atrás ficava um buracão e eles não souberam fazer isso. A Holanda toca mais a bola e sabe marcar. Nós não podemos deixar eles caírem por ali.”
Confiante, Zagallo não hesitou em afirmar que caso o Brasil passe pela Holanda já estará na final da Copa do Mundo -o time encara, se passar, o vencedor do duelo entre Uruguai e Gana. “Sempre que ganhamos deles [Holanda] vamos para a final depois. Agora não vai ser diferente. Ganhando da Holanda não tem como perder para Uruguai ou Gana”, finalizou.