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Analistas veem Serra e Dilma no 2º turno

Ricardo Leopoldo
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Após a última rodada de pesquisas eleitorais, cientistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que o candidato do PSDB, José Serra, perdeu força antes do esperado, mas o bom desempenho da candidata do PT, Dilma Rousseff, não será suficiente para decidir a eleição no primeiro turno.

Para o diretor do Eurasia Group para a América Latina, Christopher Garman, e o professor do Insper, Carlos Melo, alguns fatores, como o crescimento do País, que deve chegar a 7,3% neste ano, segundo o BC, e o início da campanha na TV, devem consolidar a dianteira de Dilma e levá-la a vencer o primeiro turno com uma margem de cinco a dez pontos percentuais de vantagem sobre Serra, sem contudo alcançar a maioria absoluta dos votos.

“O empate técnico na pesquisa Datafolha divulgada hoje (ontem) dá um alento aos tucanos na atual conjuntura”, comentou Melo. De acordo com o levantamento do Datafolha, Serra alcança 39% e Dilma chega a 38% das intenções de voto.

Garman e Melo ponderam que em junho a exposição no programa eleitoral do PSDB e a inserção em comerciais de partidos aliados deveriam ter levado José Serra a registrar uma vantagem expressiva sobre Dilma Rousseff, o que não ocorreu.

Os levantamentos realizados pelo Ibope e Vox Populi em junho apontaram que a candidata do PT atingiu 40% e Serra 35%. Já a pesquisa Datafolha indicando empate técnico foi feita nos dias 30 de junho e 1 de julho.

Na avaliação de Melo, ocorreram vários erros na campanha de José Serra no mês passado que deram condições para que Dilma o ultrapasse em duas pesquisas quando isso ainda não estava previsto. A primeira delas foi o PSDB ter criado a grande expectativa de que o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves poderia ser o vice de Serra e uma espécie de “Messias” que traria a vitória. “Como isso não ocorreu, qualquer candidato a vice que não fosse ele seria o anticlímax, uma decepção”, disse.

Daí, destaca o professor do Insper, o senador Álvaro Dias foi o escolhido, o que abriu uma crise na parceria política entre o DEM e o PSDB. “O fato é que esta questão da escolha do companheiro de chapa causou uma lambança tão grande que só prejudicou a candidatura, num momento em que a campanha deveria estar azeitada e funcionando direito.”

Ambos os cientistas políticos acreditam que o intenso apoio do governo na campanha petista e a propensão do eleitorado de querer a continuidade das boas condições da economia tendem a garantir uma vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra nos próximos três meses, desde que não ocorram fatos extraordinários.

Melo e Garman não acreditam que a eleição será decidida no primeiro turno, pois avaliam que a disputa continuará acirrada. Para o professor do Insper, a candidata do PT deve atingir no dia 3 de outubro cerca de 40% dos votos, enquanto Serra deve chegar ao redor de 35%. Na avaliação do diretor do Eurasia Group, o candidato tucano deve chegar aos 35%, enquanto Dilma deve alcançar uma marca ao redor de 45%.

Os especialistas destacam a influência do desempenho da economia sobre as perspectivas eleitorais mais favoráveis para Dilma do que para Serra. Segundo Garman, um estudo recente feito pelo Eurasia Group com a Ipsos Public Affairs mostrou que, na análise de 102 pleitos envolvendo eleições para presidente em diversos países e para governador em Estados nos EUA, em 87% dos casos os administradores que estavam no poder conseguiram fazer seus sucessores quando o PIB apresentava uma boa evolução e o otimismo da população com seu futuro estava em alta.

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