Um espaço público com múltiplas funções ambientais. Essa foi a ideia que norteou os idealizadores da praça sustentável em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). O projeto, coordenado pelo professor Valdemir Rodrigues, do Departamento de Recursos Naturais da Faculdade de Ciências Agronômicas, pretende mostrar ainda que com medidas simples as enchentes podem ser evitadas ou amenizadas com a drenagem correta das águas pluviais.
A praça, que conta com a participação efetiva da comunidade do entorno e dos universitários do curso de Engenharia Florestal, vai ter ainda paisagismo e relógio do sol. O espaço deve ser entregue ainda este ano e pode se tornar modelo na cidade e região.
Localizada no Jardim Paraíso II, o logradouro público tem muitos diferenciais. O principal deles é a captação de água da chuva. Um sistema de drenagem vertical e horizontal garante o controle das enchentes e o reabastecimento do lençol freático.
“As árvores contribuem para diminuição do aquecimento global e local, além de colaborar para a manutenção da água, da fauna urbana, o incremento da biodiversidade e o sequestro de carbono”, explica o professor Valdemir Rodrigues. Para ele, a área poderá ser utilizada também para educação ambiental. “Queremos implantar projetos semelhantes em outras praças da cidade”.
O professor frisa que o local escolhido é um ponto de ocorrência de grandes enxurradas e propício a enchentes. “A intenção é criar mecanismos para amenizar o impacto das enchentes com procedimentos de drenagens horizontal e vertical. Contribuir com o reabastecimento do lençol freático com a infiltração da água que colhemos das enxurradas e consequentemente, a longo prazo, melhorar a produção de água das nascentes ou seja, melhorar a vazão.”
Mas é pela beleza cênica que os idealizadores pretendem atrair a comunidade para o espaço e assim despertar a curiosidade pelo qual será feita a conscientização. Depois de pronta, a praça poderá ser disponibilizada para a educação ambiental.
“A educação ambiental é uma disciplina transversal, temática que envolve todas as disciplinas para sensibilização e conscientização dos alunos. Por meio da Casa da Natureza, um programa de educação ambiental dentro do câmpus da Unesp, os alunos de Engenharia Florestal explicam os serviços ambientais que a praça sustentável proporciona a comunidade, sempre às quartas-feiras”, frisa o professor.
Para ele, o espaço vai enriquecer a biodiversidade vegetal com arborização, flores além de atrair a fauna. “São plantas nativas. As flores atraem as borboletas e os pássaros. Outro serviço é o sequestro de carbono. Enriquecendo a biodiversidade nós estamos sequestrando o carbono.”
O relógio do sol que utilizará os pontos cardeais será outra “matéria” a ser explorada pelos professores da rede pública. “É uma praça diferente. Uma nova proposta de produção e manutenção dos principais serviços ambientais que irá contribuir para a sustentabilidade ambiental.”
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Escola ambiental pode tornar
Jaú referência em sustentabilidade
Um projeto pioneiro na região promete colocar a cidade de Jaú (47 quilômetros de Bauru) em evidência em sustentabilidade. A Escola de Educação Ambiental Alexandre Gusmão é um projeto das secretarias de Meio Ambiente e Educação que foi concebido para ensinar crianças e adultos que é possível preservar a natureza. A construção totalmente diferenciada usará madeira de reflorestamento, iluminação natural e telhado verde dentre outros materiais para conscientizar a população da cidade e região que este tipo de obra contribui no combate ao aquecimento global.
Além de trabalhar o tema sustentabilidade, explica o secretário do Meio Ambiente de Jaú, Maurício Arruda de Toledo Murgel, é fazer uma grande fusão desse temática; educação e meio ambiente e ter uma área central para essa atividade. “Onde as pessoas possam participar de cursos. Ter acesso a informação, vamos ter um banco de dados. A ideia é atender a todos os estudantes da rede pública e privada.”
O secretário acredita que essa é a primeira escola que foca a sustentabilidade desde a sua concepção. “A construção é educativa com coleta de água, madeira tratada entre outros. Vai abrigar projetos de educação ambiental e uma biblioteca doada pela fundação Alexandre Gusmão.”
O local será utilizado para aulas extraclasses. “As aulas ministradas farão parte do conteúdo programático das escolas, porém fora do ambiente escolar. É uma maneira de educar fora da escola com uma estrutura mais adequada”. Para o prefeito de Jaú, Osvaldo Franceschi Junior (PV), o projeto pode tornar a cidade referência na área ambiental.
O projeto está traçado e formatado porém ainda não data para sair do papel, segundo o secretário. “O prefeito gostaria de inaugurar a escola este ano. Eu acredito que não vá ser possível, em função da verba. O custo estimado é de R$ 300 mil. O local escolhido para abrigar a escola é o parque do Rio Jaú, mas como estamos recebendo uma doação de terras para fazer um Jardim Botânico. Há a possibilidade da escola ser nesse espaço.”
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Licitação inovadora
Um projeto aprovado pelo Legislativo e sancionado pelo Poder Executivo de Jaú (47 quilômetros de Bauru) faz da licitação pública um item a favor do meio ambiente. A licitação verde é um projeto inovador que pretende colocar fim a uma fórmula antiga usada na aquisição de produtos pela prefeitura. A ideia é que na hora da compra sejam considerados outros itens além do preço.
O vereador Fernando Frederico de Almeida Júnior (PV) autor do projeto explica que a intenção é mudar procedimentos tradicionais e implantar, no edital de licitação, itens pouco comuns. “A administração pública tem de se adaptar, tem que aprender a fazer. Não é fácil descaracterizar o conceito de preço. Temos que mudar a maneira de fazer para preservar o Planeta.”
Exemplificando, ele diz que a compra de lâmpadas pode ser diferente. “Na licitação verde não se compra só pelo menor preço. “Fazer que seja considerado como valor toda a cadeia do produto. O processo de produção, a distribuição, o uso, o descarte. No caso das lâmpadas aquela que gaste menos energia, dure mais e tenha o descarte correto.” Na aquisição de madeira, ela deveria ser certificada ou de reflorestamento e não qualquer tipo de madeira. “O que eu pretendo é que o município passe a utilizar nos processos licitatórios a preservação do meio ambiente. Isso implica em estudos. Tem que ter um especialista no assunto para cumprir a norma. Precisam saber qual o impacto ambiental que aquele produto provocou durante a sua produção.”
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Projeto visa drenar água pluvial
O professor Valdemir Rodrigues, do Departamento de Recursos Naturais da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu, é enfático ao explicar que as enchentes são frutos das funções vitais, processo natural de absorção da água pluvial e está cerceada pela impermeabilização do solo, especialmente nos grandes centros. “Nós trabalhamos há cerca de 12 anos com projetos que possam resolver problemas ambientais. Há dois anos me preocupo com as enchentes. Formulamos estudos que podem atenuar o impacto delas. Um deles é a praça sustentável.”
As enchentes são, segundo ele, um grave problema nas áreas urbanas. “Elas acontecem porque diminuímos a capacidade da microbacia urbana com a impermeabilização do solo com calçadas e construções. A microbacia está praticamente impedida de realizar as suas funções vitais, que é pegar a água da chuva para reabastecer as nascentes, num processo natural de absorção.”
Na praça, a absorção da água pluvial será feita por uma piscina natural verde que estamos implantando. Dentro dela tem a drenagem vertical, ela recebe água pela drenagem horizontal. “Antes do plantio da grama foi instalado um sistema de drenagens que criamos.”
Para sensibilizar a comunidade, alunos da escola Professsor Luiz Tácito Virgílio dos Santos acompanhados dos estudantes universitários, representantes do Rotary Club Bons Ares e da prefeitura fizeram o plantio das primeiras mudas de espécies nativas.
“Um projeto que envolve a comunidade no processo tem mais chance de dar certo. Nós queremos sensibilizar a escola mais próxima do ambiente para que esses próprios alunos e professores se sensibilizem junto com suas famílias na preservação e manutenção da praça.”
Para o secretário municipal da Agricultura, Márcio Campos, a experiência é muito importante para Botucatu, especialmente porque tem objetivo didático. “É uma verdadeira sala de aula para instrução da comunidade que deverá ser entregue nos próximos meses.”
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Telhado verde
O telhado verde tem inúmeras vantagens sobre as coberturas comuns, na opinião do secretário do Meio Ambiente de Jaú, Maurício Murgel. Para ele, há um mito que impede muitas pessoas de adotá-lo. “Todo mundo acha que é muito mais caro que a cobertura comum. Dependendo do projeto, ele pode ter preço semelhante e com mais proveito.”
O primeiro item no rol de benefícios do telhado verde apontado por Murgel é o combate ao aquecimento global. “O imóvel fica com uma temperatura mais amena, economiza energia, não existe dilatação de materiais. O telhado verde absorve calor e transforma em energia a luz do Sol. Os outros tipos de telhados refletem calor e absorvem, eles aquecem.”
Na opinião dele, a grama não é a cobertura adequada, e sim as forrageiras. “As graminhas precisam de mais água. Usamos as forrageiras, que são mais resistentes e não exigem muita água. São plantas que dão menos manutenção, menos consumo de água, é outra concepção. Outra alternativa são os jardins secos, que pedem pouca água. Há muitos ensaios com plantas para telhados. Aquelas que não precisam de podas constantes.”
O telhado verde é uma ótima opção para reduzir a poluição ambiental em grandes centros urbanos. Estudos de bioclimatismo mostram que, a cobertura viva, melhora em até 30% as condições térmicas no interior da edificação sem o uso de climatização ou ar-condicionado.