Malabo - Ao lado do ditador Obiang Nguema Mbsogo, há 31 anos no poder na Guiné Equatorial, o presidente Lula assinou acordos e divulgou um comunicado afirmando que os países são comprometidos com a democracia e o respeito aos direitos humanos.
Mbsogo é acusado por organizações internacionais de perseguir opositores do regime, fraudar eleições e violar direitos humanos. É também um dos mandatários mais ricos do mundo.
Os dois assinaram cinco acordos nas áreas de defesa, supressão de vistos oficiais e de cooperação bilateral. No comunicado conjunto, ambos os presidentes “concordaram em não fazer ingerências” um no Estado do outro.
Após o encontro, o Brasil divulgou nota afirmando que os países “renovaram sua continuada adesão aos princípios da democracia, ao respeito aos direitos humanos”.
Lula também chancelou o pedido de Mbsogo para ser admitido na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A língua foi incluída entre os idiomas oficiais há pouco tempo, como parte do pleito do ditador.
Ao chegar ao palácio presidencial - um suntuoso edifício com chão de mármore e lustres de cristal - o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) justificou a visita de Lula afirmando que “o exemplo tem muito mais força do que a pregação moralista”. Segundo Amorim, “negócios são negócios” e o Brasil não pode desprezar as possibilidades de trocas comerciais com o país.