Tel-Aviv - Israel anunciou ontem a suspensão das restrições para a entrada de vários produtos na faixa de Gaza, mas manteve as limitações para o envio de alguns itens, como materiais de construção. O anúncio ocorre após duras críticas internacionais ao bloqueio à Gaza, e na véspera da visita do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, aos Estados Unidos.
As novas regras - elaboradas após as críticas feitas à Israel pela comunidade internacional devido ao ataque militar israelense a uma frota que levava ajuda humanitária à região - deve aliviar a situação dos cerca de 1,5 milhão de habitantes da faixa de Gaza.
O diretor-geral do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yossi Gal, anunciou a medida ontem, dizendo que o governo fez “sério esforço” para fazer uma “clara distinção entre a necessidade de se manter a segurança de Israel” e “todo o restante”.
A lista inclui itens que poderiam ser usados para construir bombas e explosivos, como fertilizantes, mas tais produtos precisarão de permissão especial para entrar em Gaza.
Materiais de construção como concreto, cabos de aço e asfalto - que Israel teme que poderia ser usado por militantes do grupo islâmico Hamas para construir túneis e fortificações - também só serão permitidos em coordenação com o governo palestino na Cisjordânia com a ONU e outras agências internacionais que supervisionam projetos de construção na região.
“As mudanças são significativas e, quando implementadas, terão uma influência dramática no dia a dia da população de Gaza e no setor privado”, disse o enviado do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, Rússia e ONU), Tony Blair.
“Milhares de itens que não eram acessíveis por meios legítimos nos últimos três anos agora poderão entrar em Gaza com facilidade”, acrescentou ele.
Críticas
No entanto, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, qualificou a nova política de “sem valor”. “A questão não é apenas permitir novas mercadorias, mas dar fim ao bloqueio”, disse ele.
O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, disse em reunião a um comitê parlamentar ontem que o bloqueio naval de Israel será mantido para impedir que armas sejam enviadas ao Hamas, de acordo com um funcionário do governo presente no encontro.
Israel e Egito fecharam as fronteiras com Gaza depois que o Hamas tomou o controle da região, há três anos. No entanto, o bloqueio não foi suficiente para enfraquecer o grupo.
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Governos tentam superar tensões
Washington - O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente americano, Barack Obama, se reúnem na Casa Branca hoje em tentativa de apagar a imagem de fricção, mas com posições ainda conflitantes em um crescente número de temas.
Será o quinto encontro entre os líderes desde que chegaram ao poder. Netanyahu será recebido na Blair House, a casa oficial de hóspedes do governo, em vez de ficar em hotel, e haverá foto oficial.
São duas diferenças protocolares desde a última visita do premiê que mostram a vontade da Casa Branca de oferecer uma imagem de reconciliação.
Netanyahu embarcou hoje disposto a recuperar a confiança de Obama. Para isso, ele deverá apresentar ideias destinadas a acelerar o processo de paz com os palestinos. Sua margem de manobra, entretanto, é limitada pelas forças conservadoras que dominam o gabinete israelense.
O trabalhista Ehud Barak, ministro da Defesa, é uma voz minoritária a favor de um plano com um horizonte de solução, incluindo fronteiras definitivas que permitam a criação do Estado palestino.
Mais poderosos, os direitistas exigem que o governo mantenha a palavra de retomar a construção nos territórios ocupados em 26 de setembro próximo, quando termina a moratória imposta por pressão dos EUA.
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Turquia ameaça cortar laços e exige desculpas; Israel rejeita
Ancara - A Turquia ameaçou cortar laços com Israel a menos que receba desculpas por causa do ataque a um navio turco de ajuda humanitária destinado a Gaza, disse o ministro das Relações Exteriores turco. Israel afirmou ontem não ter intenção de fazê-lo.
Foi a primeira vez que o governo turco fez uma ameaça explícita de suspender relações com Israel.
A troca de farpas pública entre os outrora aliados próximos dos EUA se seguiu a conversas na semana passada entre autoridades turcas e israelenses com o objetivo de aparar as arestas. Em vez disso, suas posições aparentemente endureceram.
“Israel tem três caminhos à sua frente: desculpar-se, aceitar as descobertas de uma comissão internacional que investiga o ataque, ou ver a Turquia cortar seus laços”, disse o chanceler Ahmet Davutoglu ontem ao diário turco Hurriyet.
A Turquia, que já foi a maior aliada norte-americana no mundo muçulmano, afirmou diversas vezes desejar que Israel se desculpe pelo ataque de 31 de maio, pague compensações financeiras, concorde com uma investigação da ONU sobre o acidente e suspenda o bloqueio a 1,6 milhão de palestinos que vivem na Faixa de Gaza.