Belo Horizonte - Um jovem de 17 anos, primo do goleiro Bruno Fernandes, admitiu ontem, segundo a polícia, ter participado do sequestro de Eliza Samudio, ex-amante do atleta, e de tê-la agredido com coronhadas na cabeça. Localizado pela polícia na casa do goleiro, o adolescente afirmou ainda que Eliza está morta.
No depoimento, que não havia terminado até o fechamento desta edição, o adolescente contou que ele e um amigo do goleiro, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, pegaram Eliza no Rio para levá-la ao sítio do jogador, em Esmeraldas (MG). Mas a polícia não informou se o rapaz disse de quem partiu a ordem para sequestrá-la. E nem se o goleiro foi informado sobre a morte.
Desde o desaparecimento de Eliza, Bruno é apontado pela polícia como o principal suspeito. Ele nega. As informações sobre o depoimento foram transmitidas por um policial que acompanhava o depoimento e pelos advogados dos envolvidos.
A Polícia Civil do Rio chegou ao adolescente após a entrevista à Rádio Tupi de um motorista de ônibus que se apresentou como tio dele, mas não se identificou. O motorista disse que o sobrinho o procurou para contar sua participação no caso e que admitiu ter matado Eliza após atingi-la várias vezes com coronhadas na cabeça.
À polícia, porém, o adolescente disse que a agrediu mas que ela chegou viva ao sítio e que outro amigo de Bruno, Cleiton Gonçalves, foi contratado para matar Eliza. Cleiton é o mesmo que foi parado pela polícia, em 8 de junho, com a Range Rover do atleta em Minas. “A menina foi desossada. O Bruno pagou R$ 3 mil para um traficante (desossar). Ela está enterrada. O garoto está na casa do Bruno”, disse o motorista à rádio.
A entrevista foi veiculada pela rádio às 6h30. Às 13h, a gravação foi colocada no site da emissora. Por volta das 13h30, policiais chegavam ao condomínio onde Bruno mora, no Recreio dos Bandeirantes, em busca do garoto. À polícia, o jovem relatou que se escondeu no carro dirigido por Macarrão e que levaria Eliza e o bebê de 4 meses, supostamente filho do goleiro, até Minas Gerais. Ao descobrir o rapaz no carro, Eliza teria começado a discutir com o adolescente. Ela, então, foi agredida.
O delegado Felipe Ettore, da Divisão de Homicídios do Rio, confrontava o depoimento com informações da polícia de Minas que investiga o sumiço de Eliza. “Tudo pode ser uma grande montagem”, disse Ettore. O delegado disse que só pedirá a apreensão do rapaz por crime de sequestro e lesão corporal, após confirmar as versões no depoimento.
O delegado Edson Moreira, que comanda as investigações em Minas, disse que é preciso ter cautela com o depoimento, já que é comum adolescentes assumirem crimes de maiores de idade.
O outro lado
O goleiro Bruno colaborou com os policiais que chegaram à sua casa ontem em busca do adolescente por “não dever nada”, disse o advogado Monclar Gama, que se apresentou como defensor do jogador na delegacia onde o menor foi ouvido. Gama disse que o goleiro atendeu os policiais e afirmou que o jovem estava espontaneamente em sua casa. O rapaz seria seu primo.
Em Belo Horizonte, o advogado Ércio Quaresma Firpe, que defende Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ironizou o depoimento do adolescente no Rio. Ele considerou “surreal” que cães tenham devorado os pedaços do corpo de Eliza.
Firpe também disse que “só se Macarrão for estúpido” esconderia o corpo em Minas, uma vez que no Rio há “um punhado de favelas que têm micro-ondas”, como são chamadas pilhas de pneus usadas por criminosos para queimar corpos. Ele criticou declarações de policiais que afirmam que é possível dizer que Eliza foi assassinada mesmo sem o corpo ter sido encontrado.
Além de Macarrão, o advogado disse representar mais cinco pessoas ligadas ao caso: Dayanne Souza (mulher de Bruno), a mulher de Macarrão, Elenilson Vitor da Silva (administrador do sítio de Bruno), Wemerson Marques de Souza (o Coxinha) e Flávio Caetano de Araújo. Os dois últimos são amigos de Bruno e suspeitos de esconder o filho de Eliza.
O advogado diz que o depoimento pode ser anulado por ilegalidades, como a falta de um representante legal do jovem ao depor e levantou a hipótese de o jovem ter sofrido coação da polícia do Rio.