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Dr. Automóvel: Compra emocional

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

O ser humano é um bicho complicado mesmo. Na maioria das vezes é regido mais pela emoção do que pela razão, o que o torna suscetível a ser enganado por espertinhos que de alguma forma acabam convencendo-o a comprar ou fazer algo que não queria.

Tenho sempre alertado sobre os “espertos” que atuam no mundo dos automóveis e das motos, em detrimento dos verdadeiros “expert” com conhecimento e treinamento adequados. A propaganda, quando bem feita, transmite a mensagem que quiser de forma convincente e é uma verdadeira arte. Demanda muito estudo e talento de seus profissionais, que conhecem a alma do potencial cliente para transmitir o recado de seus produtos para o mercado. Mas também já perceberam há muito tempo que o ser humano (falo sempre na média, pois como tudo na vida, existem exceções dignas de nota) gosta de aparentar mais do que é e do que tem. Eu mesmo conheço pessoas (no plural mesmo, são bem mais de uma) que andam com carro novo de vidro aberto (ou sem insulfilm) só para serem vistos, mas moram nos fundos da casa da mãe. Vivem de aparência, para os outros e não para si mesmos.

O brasileiro médio procura mais preço do que qualidade e em geral se dá mal por isso. Hoje praticamente não existe carro novo ruim no mercado, graças a Deus e à tecnologia. Mas se escolher pelo preço apenas, talvez acabe comprando um carro inadequado para o uso que pretendia fazer dele. É o caso de pessoas que compram um carro popular 1000cc e viajam para a praia a 500 km de distância com 6 pessoas a bordo, cachorro e bagagem. O carro não foi feito para isso, mas o vendedor o convenceu que é econômico e dará conta do recado.

Um carro 1000 é econômico na cidade, para onde foi projetado para ser usado. Na estrada, faltará força e precisará ser usada uma 3ª marcha enquanto que um carro 1.6 poderia estar em 5ª. Então, qual é mais econômico? Esta é uma tendência típica brasileira, a de criar preconceitos tecnológicos baseados em “ouvi falar” ou “isto não vai pegar”. Funciona com as leis em geral, onde muitos falam “isto pode ou não pode”, ou “isto é proibido” sem conhecimento de causa. O mesmo acontece com nossos carros. Qualquer um que tenha algum tipo de envolvimento com carros, seja vendendo, consertando ou abastecendo, se julga um expert e dá palpites adoidado, confundindo a cabeça dos outros e criando preconceitos inconcebíveis e irreais. Já reparou como só tem carro preto ou prata para vender? Onde estão as outras cores do catálogo de fábrica? Vendedores alegam que a procura é muito maior por estas duas cores e as outras só por encomenda, com espera de 1 a 2 meses. Pura besteira, pois a maioria dos compradores chega à loja, só tem preto ou prata e o vendedor os convence a levar o que tem no estoque, geralmente muito mais equipados do que o comprador precisaria. Mas como a conversinha deles é boa, lá vai o felizardo com seu carro novo que não queria...

Existem até preconceitos contra marca ou procedência de um automóvel. Baseados em sei lá o quê, surgem teorias que “esta marca não presta, não aguenta nada” e por aí vai. Alguns se baseiam no seu vizinho que nunca fez manutenção preventiva e deduzem que o carro é ruim e saem espalhando a notícia a todos. Durante muitas décadas estivemos limitados a apenas 4 montadoras de carro no Brasil, sem possibilidade de importação para uma comparação eficiente. Hoje existem 14 montadoras instaladas no país e mais 20 importadoras, dando um leque de opções que nunca tivemos antes. Nosso amigo dermatologista Dr. Paulo Taborda tem condições de ter e é apreciador de carros importados. Já teve vários de marcas européias consagradas e hoje tem um coreano Hyundai Azera que, segundo ele, é tão bom quanto e tem custo mais competitivo. Tem gente que torce o bico para os chineses, franceses, coreanos, russos e romenos, mas desconhece que a tecnologia hoje é mundial e que se não tivessem qualidade, não sobreviveriam em um mercado tão competitivo. Aliás, os “espertos” pensam que os chineses só têm coisa barata e porcaria, pois estão acostumados com as tranqueiras vindas do Paraguai. Mas a China também produz máquinas e motores de qualidade para o mundo todo, sob licença das grandes montadoras como BMW, Honda, GM, dentre outras, para exportação no mundo todo. Nós é que devemos escolher o que compramos. Quem anda pela cabeça dos outros é piolho.

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