O crescimento populacional humano variou ao longo do tempo: mais rapidamente em algumas ocasiões, noutras foi mais lento e, às vezes, até mesmo negativo. Levantou-se a hipótese de que a primeira onda real de crescimento ocorreu por volta de 100000 a.C., quando as pessoas descobriram como produzir e utilizar algumas ferramentas. Evidências arqueológicas e históricas mostram uma nova onda entre 8000 e 4000 a.C., com o surgimento da agricultura e das cidades e mais uma, já no século XVIII, quando a Revolução Industrial chegou ao Novo Mundo. Entre estas ondas de crescimento rápido, houve longos períodos de lento crescimento e até mesmo quedas ocasionais, como no século XIV com a devastação causada pela peste negra.
A taxa relativa de crescimento da população sofreu uma aceleração tão estarrecedora nos séculos recentes que aproximadamente 90% do aumento da população verificado nos últimos doze milênios, deu-se a partir de 1650 d.C., portanto, há 360 anos. De longe, a maior onda de crescimento da história da humanidade começou logo após a Segunda Guerra Mundial e ainda é vigente.
A distribuição da população mundial acontece de forma desigual, há grandes diferenças entre os continentes. Estima-se que a taxa média atual de crescimento esteja entre 1,3 e 2,0% ao ano, com tendência de queda, mas, em contrapartida, a expectativa de vida vem aumentando, principalmente nos países mais ricos, em decorrência dos avanços da medicina, dos cuidados com a saúde, com o saneamento básico, entre outros. Pesquisas demográficas apontam que, nesta primeira década do século XXI, a Terra esteja recebendo em torno de 80 milhões de habitantes a cada ano e que até 2050 tenhamos pouco mais de 9,2 bilhões de pessoas circulando por aqui.
A área das terras emersas do planeta é de 149,67 milhões de quilômetros quadrados (ou 30% do total de 510,3 milhões) e dela é preciso extrair regiões inabitáveis: lagos, rios, calotas polares, desertos, reservas florestais, pântanos, vulcões, estradas, campos de futebol. A agricultura e a pecuária ocupam hoje 55% do restante e embora possa se pensar em aumento de produtividade, para 2050 haverá necessidade da expansão das terras destinadas à produção de alimentos e de combustível.
Considerando que a população é essencialmente urbana, em 40 anos será ainda mais difícil achar espaço nas grandes cidades capaz de abrigar uma família com suas necessidades de garagem, comida, água, vestimentas, amenidades físicas e psicológicas que distinguem seres humanos de formigas ou bactérias.
Além disto, estamos cortando, queimando e pavimentando a superfície das terras numa velocidade crescente. Estamos criando vastos ambientes de concreto, aço, plástico e vidro e preenchendo seus arredores com mais automóveis. Estamos desviando o curso dos rios, envenenando suas águas e poluindo o mar com óleo. Estamos transformando os ecossistemas terrestres em monoculturas e nossa atmosfera em um grande lixão. Estamos presos num círculo vicioso; temos um apetite coletivo visivelmente insaciável; temos uma habilidade inesgotável de “desenvolver” e explorar os recursos naturais ainda disponíveis e toda vez que fazemos um avanço, a população se eleva tremendamente.
O que fazer para estabilizar a população? Como será conviver com tanta densidade populacional? Acredito que a educação possa ser a resposta.
A educação voltada para a emancipação e o fortalecimento das mulheres, especialmente, nos países periféricos. A educação para a tolerância, para a convivência em coletividade, para o respeito aos deveres, às regras e às restrições que serão cada vez mais severas. Não é porque tenho carro que posso violar o rodízio lá em São Paulo; não é porque a casa ou o apartamento é meu que posso violar aquilo que o regimento interno do condomínio estabelece para uma convivência harmoniosa e, portanto, saudável.
Precisamos cada vez mais de fraternidade. A fraternidade emerge de um coração afinado no diapasão adequado; dela surge a harmonia que culmina com a paz, com as contribuições construtivas, com atitudes pró-ativas. É isto ou o caos.
O autor, Paulo César Razuk, é professor titulae do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenhara da Unesp - câmpus de Bauru