Política

Dilma aceita concessão para aeroportos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse ontem, em Bauru, que é favorável à concessão de aeroportos quando o Estado não tiver condições de operar. No caso de São Paulo, o governo do Palácio dos Bandeirantes espera uma posição da União desde o final do ano passado para autorização de abertura de cinco lotes de concessão para 30 aeroportos regionais, divididos em cinco lotes, um dos quais o Moussa Tobias.

Dilma Rousseff chegou a Bauru às 13 horas, foi direto para as instalações do Espaço Bauru, onde concedeu entrevista coletiva e depois almoçou com militantes que apoiam sua candidatura, além de prefeitos e vereadores da região. Ela esteve acompanhada do vice na chapa nacional, Michel Temer (PMDB), do candidato ao governo paulista, Aloizio Mercadante (PT), dos candidatos ao Senado pela aliança, Marta Suplicy e Netinho de Paula (PC do B), além de deputados federais como Milton Monti (PR), José Eduardo Cardoso (PT), Arlindo Chinaglia (PT), Paulo Lima (PMDB) e outras lideranças.

A comitiva ainda fez caminhada pelo Calçadão e deixou Bauru no final da tarde. “No que se refere aos aeroportos, eu sou a favor de concessão de aeroportos estaduais sempre quando o Estado não tiver condição de manter”, disse, em entrevista coletiva. Mas o candidato a governador de São Paulo pelo mesmo partido, Aloizio Mercadante, acha que concessão não é o caso aqui. Para ele, o Estado tem condições de operar aeroportos. Ele defende investimento público no modal.

Dilma falou sobre intermodalidade e proposta de logística regional, levando-se em conta o potencial de crescimento da hidrovia, a necessidade de recuperação da malha ferroviária e transformação do Aeroporto Bauru-Arealva em terminal de cargas. Neste contexto, ela disse que o governo federal quer parcerias com o Estado. “Sempre que houver necessidade de parcerias o governo federal é o primeiro a aceitar parceiras e a viabilizar financiamentos e, inclusive, colocar no orçamento geral da união, como nós fizemos no caso do Rodoanel, onde colocamos R$ 1,8 bilhão. Agora precisa de ter parceria”.

Ao abordar sobre as instalações ferroviárias, a petista argumentou que a política nacional para o setor é inter-regional, esquecendo-se que é o caso de Bauru, onde os antigos trilhos ligam a cidade até o Mato Grosso do Sul. “No interior dos diferentes estados teria de ter uma presença forte do governo estadual porque ai a competência é deles. Aqui no caso desse modal ferroviário, a não ser que ele tivesse uma conexão interestadual, como tem no caso Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, é uma obra do governo. Agora no caso específico da modificação das ferrovias aqui dentro do Estado esta é uma questão do governo do Estado de São Paulo”, falou.

Sobre a instalação de projetos de porto seco em várias regiões do País, a ex-chefe da Casa Civil do governo Lula confirmou que há ações previstas junto ao Ministério das Cidades neste sentido. “Eu não sei detalhes do projeto porque deixei o governo para ser candidata, mas eu sempre fui defensora de porto seco e acho que esta região, pela intermodalidade, reúne essas condições sim. Vamos ver em que estágio está isso”, apontou.

No embalo das concessões, a candidata foi chamada a dizer se privatizaria os Correios, caso eleita. “Nós não temos nenhum projeto de privatizar órgãos federais, ou de pulverizar ações, como no caso dos Correios, de nenhuma espécie. Agora não afasto isso, de modernizar várias empresas abrindo o capital. Porque quando você abre capital, a vantagem primeiro é que a população pode colocar seu dinheiro em ações. Mas a grande vantagem é que você melhora a gestão, porque você passa a ter de cumprir todas as normas”, pontuou.

E completou: “Por exemplo, como a Petrobras, uma empresa controlada pelo governo federal, que nós jamais deixaríamos de controlar enquanto governarmos o País. E a mesma coisa a Eletrobras. São empresas de capital aberto. Agora são empresas públicas. O Correios é uma empresa pública”.

Salário e educação

Sobre o patamar do salário mínimo para os próximos anos, a petista reafirmou o compromisso de cumprir o acordo firmado com as centrais sindicais, o que, segundo ela, tem programação até 2014. “O acordo que fizemos com as Centrais foi de dar a inflação do ano e a média do crescimento do PIB dos dois anos anteriores. Nós não vemos porque mudar a regra do jogo no meio do jogo. Vamos cumprir. Acordo é para ser cumprido. Provamos no governo do presidente Lula que o salário mínimo pode crescer. Demos 54% de aumento real no mínimo. A oposição, que sempre foi contra aumentar o salário mínimo, ficar fazendo política eleitoral pra cima da gente é complicado. Eu também quero que aumente. Fizemos um acordo e vamos cumprir”, respondeu.

Rousseff não vê funcionalidade na proposta do adversário, José Serra (PSDB), que quer dois professores por sala de aula no País. “Olha eu não acho que seja a soma que vai melhorar a qualidade da educação. A multiplicação é que vai melhorar. E isso é olhar o professor como o agente responsável pela qualidade da educação. Colocar um assessor para ajudar o professor nas salas de aula não resolve e a verdade é que não há como fugir da necessidade de formação continuada do professor e investimento em salário”.

Ela ainda aproveitou o tema para alfinetar a política tucana para profissionais da área de segurança. “Até o professor do ensino básico, do infantil, tem de ter formação universitária. E o segundo critério é salário decente para valorizar socialmente a profissão. Ninguém vai equacionar a educação colocando mais um professor na sala. Pega um e melhora o salário então, para valorizar de fato. Nenhuma profissão vai ser bem prestada se sucatear. Delegado de polícia tem de acertar também porque um Estado rico como este (SP), paga muito mal. Nós fizemos isso na Polícia Federal”, emendou.

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Código Florestal - tema controverso

Dilma Rousseff disse que é sensato o Congresso deixar a discussão do novo Código Florestal Brasileiro para depois do período eleitoral, para evitar a contaminação emocional do tema. “Tem grandes controvérsias neste tema. Eu sou contra qualquer política relativa ao Código Florestal que leve ao desmatamento. Acho que discutir agora anistia ou mudança na regra sobre desmatar ou não envolve emoções em conjuntura pré-eleitoral, o que não é correto”, abordou.

Em seguida, ela foi informada pelo vice na sua chapa, deputado Michel Temer, de que a proposta estava sendo adiada exatamente para depois da disputa eleitoral. “O Michel Temer, nosso vice e presidente da Câmara dos Deputados, me diz que esta discussão já deixaram para depois da eleição, o que é muito correto. E aí a gente faz um debate criterioso, porque os dois lados têm de ser olhados. É fundamental continuar a área preservada, mas tem de discutir também a situação dos produtores agrícolas. Agora eu sou contra desmatar porque o prejuízo é muito grande”, contou.

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