A multiplicação de praças de pedágio pelas rodovias estaduais continua sendo o alvo principal das críticas de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado. Ontem, em Bauru, ele propôs a cobrança de pedágio por quilômetro rodado. Defendeu ainda a revisão dos contratos com as empresas concessionárias, ao indicar que a combinação para a negociação deve levar em conta alterações no formato de cobrança com mais prazo para concessão para buscar redução nas tarifas. Mercadante também voltou a comentar sobre sua estratégia para alavancar o aeroporto Moussa Tobias.
O candidato volta à carga contra o modelo adotado pelo governo do PSDB nas rodovias estaduais. “É preciso rever a política geral de pedágios. Eles criaram um pedágio a cada 40 dias e colocaram o Estado na situação que estamos vendo”, aponta.
Mercadante defende a necessidade de revisão do modelo de concessão. “Rever com responsabilidades, pois temos que manter o investimento e a qualidade do serviço”, observa. Uma proposta é a alteração do contrato. “Podemos, em alguns casos, prorrogar o prazo de concessão, em contrapartida da redução de tarifa”, sugere.
O petista também tem como proposta a cobrança por quilômetro rodado. “Existem novas tecnologias a serviço do usuário. Na Europa, Estados Unidos e Japão, o pedágio é pago por quilômetro efetivamente rodado, não por praça de pedágio. Você registra, por um chip, quanto efetivamente rodou”, explica.
Mercadante ainda falou sobre o sucateamento de ferrovias e os investimentos que pretende fazer na área. “O PSDB ajudou a sucatear as ferrovias do Estado, abandonou o transporte ferroviário. Isso desde Fernando Henrique Cardoso na esfera federal e nos 16 anos de PSDB no Estado. Hoje, 93% da carga de São Paulo é rodoviária, com pedágios abusivos”, observa.
Uma das apostas do petista é a implantação do Trem de Alta Velocidade, que trafega a 400 quilômetros por hora, na ligação de Campinas e São Paulo ao Rio de Janeiro. Para Mercadante, essa será a espinha dorsal do sistema ferroviário no Estado. A proposta do candidato é a criação de trens rápidos, com velocidade de 200 quilômetros por hora, que saiam de Bauru, Sorocaba e Ribeirão Preto à Capital. “Com essas duas estruturas, a gente muda a história econômica do Estado de São Paulo. E a ferrovia vai alavancar a economia de Bauru ”, pontua.
Aeroportos
Em razão de, durante a coletiva com a imprensa, a candidata Dilma Roussef defender a concessão de aeroportos em Estados que não possuem condições de mantê-los, Mercadante abordou, em seguida, que a situação não caberia para São Paulo. “O que não é o caso de São Paulo”, disse. “O Estado tem todas as condições de manter seus aeroportos. Agora, não vai resolver o problema específico do aeroporto de Bauru se a concessão for uma medida isolada”, observa.
O petista aponta a necessidade da implantação de uma política para o desenvolvimento regional, que englobe os aeroportos. “Que significa acabar com o abuso dos pedágios, que está estrangulando todo o Interior. Temos esse abuso no Estado inteiro e temos que repactuar essas tarifas, para que a gente ganhe competitividade com a economia. Incentivo fiscal, redução de impostos para aquilo que é a vocação econômica da região, para atrair investimentos, empresas e empregos”, enumera.
“Caso contrário, você não tem volume de passageiros e de carga para poder transformar esse aeroporto num equipamento importante”, acrescenta. “Na nossa política de desenvolvimento regional, esse aeroporto terá papel fundamental”, destaca.