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1,5 mil esperam por prótese e órtese

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 5 min

Atualmente, a área de atuação do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) possui uma fila de espera formada por cerca de 1,5 mil pessoas que necessitam de próteses e órteses, segundo estimativa da Sorri. Tais pacientes contam com a possibilidade de atendimento pela entidade, mas sua estrutura é insuficiente para atender a demanda. Como divulgado pelo JC no último dia 15 de maio, o governo estadual, através da Secretaria de Estado da Saúde, deu início a um projeto que visa investir a quantia de R$ 10 milhões para aumentar as áreas de atendimento da Sorri. Entretanto, o projeto ainda não avançou.

De acordo com a assessoria de imprensa do órgão estadual, o “projeto permanece em avaliação. Entretanto, a Secretaria de Estado da Saúde já liberou esse ano R$ 700 mil para ajudar no custeio da unidade”.

Sem oferecer mais informações sobre o andamento do processo, o setor de comunicação da secretaria afirmou que o projeto visa conceder verba para a criação de uma oficina de reabilitação, e explicou que os R$ 700 mil são recursos separados, que foram concedidos enquanto a proposta ainda está em trânsito.

Segundo o presidente da Sorri, João Carlos de Almeida, o JoãoBidu, os R$ 700 mil destinados à entidade fazem parte de outros planos e o projeto que está em análise na Secretaria de Estado da Saúde seria importante para agilizar o atendimento aos pacientes que buscam próteses e órteses.

“Teve uma emenda do deputado (estadual) Pedro Tobias que fez o pedido de R$ 200 mil para a reforma do refeitório, e este dinheiro já chegou. Já a outra verba foi concedida pelo secretário de Saúde (Luiz Roberto) Barradas no valor de R$ 500 mil. Esta última a gente recebeu de presente do secretário para conseguir tocar os projetos de atendimento ao público”, afirma João.

Ele destacou ainda que a fila de pessoas que necessitam de próteses e órteses está em constante crescimento nos municípios dentro da abrangência do DRS-6, o que torna a falta de atendimento ainda mais prejudicial para a região. “Os dados que tenho é que existe uma fila de aproximadamente 1,5 mil pessoas esperando por órteses e próteses. Deste total, Bauru representa quase 80%”, avalia o presidente da Sorri.

Investimento

Sobre a ampliação da estrutura de atendimento da Sorri que poderá ser proporcionada com a aprovação do projeto em trâmite na Secretaria de Estado da Saúde, a coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Sorri, Cláudia Granja Betim, analisa que a ampliação do espaço físico da entidade não é o único aspecto que deve ser trabalhado para o público que precisa de órteses, próteses e cadeiras de rodas seja assistido com mais eficiência.

Ela destaca que o intento exposto para a secretaria estadual prevê a expansão da área para um total de aproximadamente 6 mil m2, entretanto, a gestão da entidade e a dispensação dos aparelhos deve ter sua política reavaliada. “É lógico que nós queremos e precisamos da ampliação do espaço físico, mas hoje o que mais precisamos mesmo é a ampliação de nossos serviços”, frisa Betim.

De acordo com a coordenadora, que é responsável pelos projetos desenvolvidos na entidade, foram encaminhadas duas propostas à Secretaria de Estado da Saúde. Uma delas diz respeito a uma mudança no contrato de gestão da Sorri, enquanto a outra pleiteia a possibilidade de uma dispensação realizada diretamente pela entidade bauruense, ideias que agilizariam os atendimentos e poderiam reduzir as filas de espera por próteses, órteses e cadeiras de roda.

“Sobre o contrato de gestão, mudaria nosso relacionamento com o Estado, o que significaria mais atendimento, contratação de mais profissionais, ampliação dos serviços e, consequentemente, atendimento mais amplo. Caso fosse aprovado, teríamos subsídios para articular melhor a rede de assistência”, pontua.

Neste aspecto, Betim ressalta que um número considerável de pessoas que sofrem acidente vascular tendem a demorar cerca de dois anos até chegar aos centros de reabilitação. “A melhor opção é que isto aconteça antes deste tempo de espera. A gente poderia auxiliar no encaminhamento destes pacientes.”

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Locomoção

Outra questão importante levantada pela coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Sorri, Cláudia Granja Betim, é receber subsídios para poder dispensar diretamente as órteses, próteses e os meios auxiliares de locomoção.

Segundo ela, a entidade possui oficina e equipe completa para realizar o serviço mas falta a autorização para poder disponibilizar esta assistência com mais facilidade.

“Temos condição de avaliar, prescrever, dispensar e condicionar. Temos pessoas aguardando cinco anos por uma cadeira de rodas adaptada, enquanto poderíamos dispensar este equipamento em cerca de 40 dias. Este tipo de demora pode inclusive prejudicar os pacientes”, conclui ao dizer que a entidade não tem conhecimento do posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde sobre este assunto. “Fizemos essas propostas para o Estado, mas não recebemos uma resposta por parte deles”.

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Definição

Prótese é o componente artificial que tem por finalidade suprir necessidades e funções de indivíduos sequelados por amputações, tarumáticas ou não. Órtese refere-se unicamente aos aparelhos ou dispositivos ortopédicos de uso provisório, destinado a alinhar, prevenir ou corrigir deformidades ou melhorar a função das partes móveis do corpo.

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Garoto de 8 anos receberá

andador reverso da Sorri

Filipe Tadeu Sodré Pinheiro, um garoto de 8 anos que mora em Belo Horizonte e possui dificuldade de locomoção em decorrência de paralisia cerebral, será beneficiado com um andador reverso, aparelho desenvolvido pela Sorri e que conquistou o menino com uma estrutura que oferece segurança e mobilidade.

De acordo com o presidente da entidade, João Carlos de Almeida, o JoãoBidu, fatos como este comprovam o destaque que a Sorri tem conquistado dentro de todo o território nacional. “Este interesse que foi despertado em uma família de Belo Horizonte por um dos aparelhos desenvolvidos aqui em Bauru mostra a referência da Sorri para pessoas que necessitam de próteses e órteses.”

O contratempo, porém, é que este aparelho não pode ser comercializado porque está na fase final de sua análise para posterior encaminhamento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e possível aprovação da distribuição.

Entretanto, ao perceber a necessidade que Filipe tinha e a busca de sua mãe, Renata Paula Sodré Pinheiro, pelo aparelho, a diretoria da Sorri conseguiu incluir o caso em sua avaliação para o futuro encaminhamento à Anvisa.

“Vamos ceder o andador para que eles façam parte da pesquisa. Como a criança se adaptou bem e gostou, ele vai usar e outros profissionais vão avaliar o nosso trabalho, fortalecendo ainda mais os resultados de nossa avaliação”, explica Maria Elisabete Nardi, diretora executiva da Sorri.

A entrega do andador reverso para Filipe será realizada no próximo dia 15, às 9h30, no prédio da Sorri.

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