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Cidade tem muitos obstáculos às bikes

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Para que pedalar, suar e me cansar se eu posso entrar em um carro e chegar ao meu destino sem trabalho algum? É esse o raciocínio dos que preferem utilizar automóveis a se locomover por meio de bicicletas nas ruas de Bauru. Mas, em geral, a topografia urbana e outros obstáculos, como a falta de opções para estacionamento seguro e poucas faixas de ciclovia, também alimentam a fuga dos pedais para deslocamentos.

Para Joaquim Oliveira, que é dono de uma oficina de peças e acessórios de bicicletas na cidade, essa preferência faz parte da cultura do brasileiro, mas precisa ser mudada. “O número de bicicletas está aumentando muito. Porém, elas são utilizadas em sua maioria para o lazer. As pessoas precisam entender a importância da bicicleta como meio de transporte”.

Em sua opinião, como de muitos, quando as bicicletas forem utilizadas como meios de transporte serão naturais os benefícios ambientais e também para a saúde. “Cada partida do carro é uma facada na camada de ozônio. Andar de bicicleta não faz isso. Ajudaria tanto o meio ambiente, quanto a saúde do indivíduo, que irá praticar exercícios”, conta.

Joaquim afirma que “são necessários alguns dispositivos para mudar essa cultura, como a inclusão de ciclofaixas e ciclovias. As ciclofaixas são aquelas onde só há a pintura no chão. Elas funcionam bem em países desenvolvidos. Aqui, o ideal seria fazer ciclovias, que é o impedimento físico de invadir a pista. Na Getúlio Vargas tem, mas só vale para os finais de semana. O ideal seria que funcionasse todo dia”.

Além desses, outro ponto polêmico é citado: os estacionamentos para bicicletas. Joaquim acredita que a falta desses locais chamados bicicletários desestimula a população a usar esse tipo de veículo. “Muita gente não encontra lugar para deixar sua bicicleta. E isso faz com que ela não use. Você vai a um lugar de bicicleta e vai fazer o que? Deixar amarrada em uma árvore?”, questiona.

Os bicicletários

O vereador Francisco Carlos de Goés (PR), o Carlão do Gás, é uma dessas pessoas que já encontrou dificuldades com locais para guardar a bicicleta. Ele afirma que, muitas vezes, vai a agências bancárias no Centro e precisa deixar o meio de transporte na rua. Pensando nisso, ele elaborou projeto apresentado no Legislativo para tornar obrigatório a criação dos bicicletários para shoppings, agências bancárias e outros locais que possuam acima de 500 m².

Como houve entendimento na Câmara de que a proposta esbarra em vício de iniciativa – quando determinado tema não pode, pela lei, ser apresentado por vereador, mas apenas pelo prefeito -, a saída encontrada foi encaminhar o projeto para o Executivo assinar.

Apesar do esforço no encaminhamento da proposta, em maio deste ano ela foi rejeitada no plenário por 11 votos a quatro. Para o vereador José Roberto Segalla (DEM), um dos contrários ao projeto, “é melhor criar o comprometimento da iniciativa privada com temas mais significativos, como é o caso das vagas para idosos e deficientes”. Ele argumenta que, na ocasião, consultou diversos usuários de bicicleta e nenhum deles relatou ter dificuldades em encontrar locais para estacionar.

Mas o idealizador do projeto, o vereador Carlão do Gás, entende que a ação iria estimular o uso das bicicletas e melhorar, inclusive, o trânsito. “Se a pessoa tem lugar para deixar a bicicleta, ela vai usar mais. Isso é bom pelo lado ambiental, saúde e no trânsito. Países de ponta e até da América Latina, como Chile e Colômbia, tem essa preocupação em ‘desafogar’ o trânsito. Essa iniciativa iria estimular isso”, defende.

Outras cidades

Mas para o proprietário da oficina de bicicletas Joaquim Oliveira, a votação do projeto pela Câmara foi vista até com certo desrespeito. “Alguns vereadores chamaram a bicicleta de novo veículo. Falta informação aí. A bicicleta foi a base de todos os veículos modernos. E por isso precisa ser tratada com mais respeito”, posiciona.

Ele ainda exemplifica que cidades como Santos, Penápolis e Araçatuba já tem bicicletários na maioria dos estabelecimentos e conseguem bons resultados. “Hoje, nem vemos muitas bicicletas estacionadas em locais impróprios, pois a pessoa já sabe que não tem onde guardar e nem sai com ela. Um bicicletário é inclusive um ganho físico, pois, no espaço de um carro, cabem dez bicicletas. Seria um ganho geral”, conclui.

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“Pedalar exige exame clínico completo”

É indiscutível que o hábito de andar de bicicleta é benéfico para a saúde, mas é preciso tomar certas precauções, principalmente para iniciantes na prática. Segundo o cardiologista André Saab, como qualquer atividade física, a bicicleta também exige acompanhamento médico. “Antes de começar a pedalar, a pessoa precisa passar por um exame clínico cardiológico completo. Isso a impedirá de sofrer com riscos desnecessários”.

O médico explica que muitas pessoas podem ter algumas doenças e nem sequer saber disso. Assim, a prática do exercício físico sem a devida avaliação pode trazer resultados negativos. “Algumas pessoas já possuem gordura nas artérias ou até mesmo uma cardiopatia congênita, de nascença, e não sabem que tem esses problemas. Desse modo, quando elas se submetem a um exercício físico repentino, essas doenças podem se manifestar”, adverte.

Tomados esses cuidados, o cardiologista afirma que a bicicleta é uma ótima atividade para a saúde. De acordo com ele, “é uma atividade aeróbica e anaeróbica, o que a torna muito completa e pode melhorar bastante a qualidade de vida e a saúde do praticante”.

Por fim, André Saab lista como outros benefícios da atividade a diminuição de peso, melhoras na pressão sanguínea, redução do colesterol, estabilização do nível de glicemia e aumento significativo da capacidade física.

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