A correria do dia a dia, mudança de hábitos alimentares e sedentarismo são fatores cruciais para a manifestação da hipertensão. Em Bauru, a estimativa da Secretaria Municipal da Saúde é de que pelo menos 45.710 habitantes que fazem uso do Sistema Único de Saúde (SUS) possuem a doença e 22.507 já recebem acompanhamento e atendimento gratuitos.
Segundo dados do site do Ministério da Saúde, a hipertensão é quando a pressão que o sangue faz na parede das artérias para se movimentar é muito forte. Isso causa dificuldades para respirar, dores no peito, às vezes no braço e dedos da mão esquerda, e pode ter como consequência infarto do miocárdio, AVC ou o próprio quadro gerar até a morte.
Maria da Penha Araújo, 64 anos, descobriu a patologia silenciosa depois de uma tentativa de assalto. “Há quase 15 anos eu sofri uma tentativa de assalto na minha casa. No dia eu não senti nada, mas depois comecei a passar mal”, relata.
Ela acabou ignorando os primeiros sintomas e desmaiou sozinha em sua casa. “Por volta das 2h da manhã eu me senti mal, levantei e fui ao banheiro. Lá eu desmaiei, caí e acabei quebrando o nariz. A minha sorte foi que eu consegui fechar o corte com um ponto falso de esparadrapo que aprendi a fazer em um curso de enfermagem”, contou.
No dia seguinte ela procurou o médico, iniciou o seu tratamento e começou a fazer parte do Programa Nacional de Atenção à Hipertensão no Posto de Saúde do Núcleo Edson Bastos Gasparini, já que a iniciativa abrange as Unidades Básicas de Saúde de Bauru.
“Lá o médico me avaliou fizemos exames e ele disse que eu estava hipertensa. Então comecei a diminuir o sal na comida e a fazer caminhada. Também pratiquei atividades físicas moderadas em uma academia durante 1 ano”, completou.
Depois disso veio o inesperado. Na manhã do dia 6 de abril de 2009, Maria fazia sua caminhada, pela manhã, quando estranhou uma dor no braço esquerdo. “Eu comecei a sentir a dor e achei estranho. Já imaginei que estava com começo de infarto. Deitei em minha cama e reparei que a visão estava escurecendo então liguei para minha filha que chamou o Resgate”, relembrou.
Ela foi encaminhada para o Pronto-Socorro Central, com os primeiros socorros prestados durante o trajeto. “Quando eu cheguei lá infartei mesmo. Perdi os sentidos. Acordei porque eles usaram o desfibrilador para me reanimar. Fiz uma angioplastia e coloquei uma mola no coração. Hoje eu continuo meu acompanhamento com enfermeiras, médicos e nutricionista no posto de saúde e só posso fazer caminhadas leves”.
Visão do especialista
De acordo com Cristiane Rosevelte e Silva, médica sanitarista da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, o programa nacional consegue dar atendimento de qualidade aos bauruenses que fazem parte do grupo que utiliza o SUS.
“Os usuários do SUS em Bauru representam 78% da população, totalizando 286.079 pacientes. Desse número, aproximadamente 45.710 são hipertensos e nós conseguimos atender 22.507 pessoas atualmente, o que representa quase a metade da população hipertensa que faz uso das Unidades Básicas de Saúde. Esse índice é considerado bom”, afirmou.
Os pacientes recebem inicialmente atendimento médico, depois realizam exames complementares. De três em três meses, ou de seis em seis, conforme o caso, eles são atendidos por enfermeiros que aferem a pressão e, se houver necessidade, os encaminham para um cardiologista.
A última parte do atendimento é fundamental. O hipertenso passa por uma avaliação junto a um nutricionista que explica como deverá melhorar sua alimentação reduzindo o teor de sódio nos alimentos. “Muitas pessoas não entendem a diferença entre sal de cozinha e sódio. O sal nada mais é do que o cloreto de sódio. Uma colher de chá de 6 gramas, que é o ideal para consumo diário, possui 2,4 gramas”, enfatizou.
Sódio, o vilão
A médica Cristiane Rosevelte e Silva explica que o sódio faz com que as veias retenham mais líquido e, consequentemente, fiquem sobrecarregadas para bombear o sangue. “O sódio faz com que a osmolaridade dentro do vaso sanguíneo aumente. Então ele vai puxar mais líquido para dentro do vaso sanguíneo o que vai causar uma maior pressão no bombeamento do coração”.
A sanitarista defende a combinação tradicional de boa alimentação aliada a prática regular de exercícios físicos como melhor opção para se cuidar no dia a dia, o que pode até levar a substituição do uso de medicamentos. “Em casos de hipertensão leve a prática de atividades físicas regulares juntamente com uma alimentação balanceada e um bom acompanhamento médico permitem ao paciente ter uma vida normal sem precisar tomar os medicamentos”, completa.
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Estudo revela desinformação sobre perigo do uso do sódio
Uma pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde apontou que 93% dos pacientes hipertensos atendidos no Hospital Estadual Dante Pazzanese, localizado na cidade de São Paulo e referência nacional em cardiologia, simplesmente desconhecem a diferença entre sal e sódio.
O estudo, realizado em março deste ano, ouviu 1.294 pacientes. Desse total, 75% disseram que não costumam ler os rótulos dos alimentos, que informam a quantidade de sódio dos produtos.
“É muito importante verificar o teor de sódio. Porque muitas pessoas substituem o sal de cozinha pelo glutamato de sódio que não dá tanto sabor ao alimento. Então acabam aumentando a dose desse tempero e consequentemente o teor de sódio”, afirmou Cristiane Rosevelte, médica sanitarista da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru.
Para ela, as pessoas devem variar os temperos apostando nas ervas para diminuir o consumo de sal diário. “Poucas pessoas sabem que o gengibre, algumas ervas, sálvia e o salsão dão um gosto especial na comida fazendo com que consequentemente a pessoa utilize menos sal de cozinha como tempero”.
Entre os que leem os rótulos dos alimentos, 19% consomem alimentos embutidos, como linguiças e salsichas (com altos teores de sódio) pelo menos uma vez por semana. Outros 18% consomem alimentos enlatados ou envidrados e 17% consomem queijos salgados uma vez por semana, no mínimo, como Maria da Penha Araújo.
“Antes de descobrir que eu era hipertensa eu já utilizava pouco sal de cozinha nos alimentos, mas comia muito queijo e bacon no meio das comidas e eles possuem um alto teor de sal”.
A médica sanitarista revela que o sódio também está presente em alguns alimentos doces. “O sódio é um conservante e ele está presente não só em alimentos salgados, mas também em alimentos doces. Então temos sempre que olhar as embalagens como por exemplo a de uma geleia ou em um doce em compota industrializado”.