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Planeje os riscos à saúde ao viajar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

As viagens estão associadas não só à possibilidade de se conhecer ou desfrutar de outras regiões do país e do mundo mas também ao aumento de riscos à saúde. Em vários casos, turistas retornam para casa com recordações, no mínimo, preocupantes. “Importam” doenças contraídas do local onde foram visitar ou trabalhar. Homens e mulheres, no entanto, trazem na bagagem problemas diferentes.

Quando viajam, elas são mais suscetíveis a desarranjo intestinal, infecção urinária e estresse psicológico. Já neles prevalecem as doenças transmitidas por mosquitos e outros animais, as hepatites virais e as doenças sexualmente transmissíveis. As informações constam no estudo “Doenças de viajantes: diferenças por sexo e gênero”, publicado no início deste ano pela revista Clinical Infectious Diseases, órgão oficial da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas.

O trabalho, encabeçado pela suíça Patrícia Schlagenhauf, do Centro de Medicina de Viagem da Universidade de Zurique, analisou dados de quase 59 mil viajantes, compilados ao longo de dez anos. Os homens, normalmente mais afoitos e menos cuidadosos, também são mais suscetíveis a acidentes, como atropelamentos. A advertência parte do infectologista Marcelo Nóbrega Litvoc. Ele, no entanto, considera complicado dividir as doenças dos viajantes por gênero.

“Atualmente, cada vez mais, as homens e mulheres fazem coisas parecidas e estão sujeitos aos mesmos problemas”, pondera. Independentemente do sexo, a doença mais comum de quem viaja é a diarreia. Segundo a Enciclopédia Médica, ela representa entre 50% e 68% dos transtornos, seguidos de infeções respiratórias (14% a 31%) e de febre (12% a 15%), informa a assessoria de imprensa da Sanofi Pasteur.

Febre

A alimentação é a principal causa de eventuais diarreias. “O próprio tempero da comida pode levar a esse quadro. Nos Estados Unidos e na Europa a chance de contraí-la é muito menor do que na Índia, África. Várias doenças infecciosas podem ocorrer depois que a pessoa volta. Um exemplo é a febre tifoide, provocada pela Salmonella Typhi, transmitida também no Brasil. É uma doença bacteriana geralmente provocada por alimentos preparados de forma inadequada”, informa o infectologista.

De acordo com ele, o problema tem relação direta com ovo, utilizado, por exemplo, em maionese. “Se a pessoa voltou de alguma viagem com febre, diarreia, dor de cabeça e vômito é interessante procurar o médico e contar sobre a viagem e o destino. Algumas doenças ocorrem em lugares específicos”, adverte Litvoc. Embora as viagens para a Europa sejam mais seguras, principalmente quando o turista compra pacotes, o velho continente também é fonte de doenças transmissíveis.

Recentemente, a Alemanha passou por um surto de sarampo, doença considerada controlada no Brasil desde 2.000. Já no Reino Unido, o problema foi caxumba, afirma o infectologista Rodrigo Angerami, médico-assistente do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital das Clínicas da Universidade de Campinas (Unicamp).

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Sem vacina, malária tem risco elevado

A malária é um dos principais riscos a que os turistas estão submetidos, dependendo do roteiro que escolhem para viajar. O problema é sério porque não existe vacina contra a doença, que pode ser contraída em lugares como Amazônia, África, Índia e Indonésia.

“Mas há medidas para evitar a picada do mosquito, como uso do repelente correto. Eventualmente, o médico pode indicar uma profilaxia, ou seja, remédio que diminua a chance da pessoa apresentar malária”, explica o infectologista Marcelo Nóbrega Litvoc. De acordo com ele, não existe comprovação científica de que o consumo do complexo B12 possa afugentar pernilongos, por exemplo.

“No Pantanal, o maior risco é de febre amarela, mas tem vacina. Deve ser repetida a cada dez anos e tomada 15 dias antes de viajar”, orienta o médico. Já quem optou pelas praias do Caribe deve se atentar não apenas à diarreia do viajante, como à hepatite A. “É uma doença transmitida por água e alimentos contaminados. Tem bastante também no Nordeste do Brasil, na Índia e na África, mas existe vacina”, pondera Litvoc.

De acordo com ele, quem pretende fazer trilhas na região rural da Europa deve se atentar a algumas doenças provocadas por carrapatos.

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