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Região tem fabricantes de cosméticos orgânicos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil está entre os três maiores consumidores de cosméticos do mundo. Segundo a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), nos últimos 14 anos o crescimento anual tem sido em torno de 10%. Mesmo nos períodos de crise econômica, o segmento cresceu no País. Os cosméticos orgânicos, uma tendência mundial, segue o mesmo trajeto e em pouco tempo poderá ter o mesmo status. Na região de Bauru, algumas empresas apostam nessa forma de fazer cosméticos sem agredir o meio ambiente.

Na Estância Demétria em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) uma empresa que apostou nos naturais fabrica cosméticos desde 2006. Possui certificação e uma linha com 60 itens. Em Jaú (47 quilômetros de Bauru) outra empresa aposta no segmento e tem 53 produtos. Até o final do ano, eles pretendem lançar uma linha de gel e loção hidratante para o corpo com bases 100% vegetais.

Matéria-prima não falta. A Amazônia é um verdadeiro celeiro. Mais de 200 espécies de plantas já foram identificadas e 120 podem ser usadas de imediato, mas somente 20 delas estão sendo utilizadas. As mais conhecidas são a andiroba, copaíba, castanha-do-pará e o buriti dentre outras. De acordo com a ABC, o País possui uma das maiores biodiversidades do planeta. Calcula-se que de 15% a 20% de toda a fauna e flora mundiais estejam por aqui.

Para o pesquisador, professor e diretor técnico da ABC, Emiro Khury, o negócio do cosmético orgânico é uma grande oportunidade para as empresas e tende a se expandir. “O mercado brasileiro está compreendendo agora esse produto. Os consumidores preocupados com a saúde do planeta é que estão alavancando a criação de produtos que estão alinhados com uma preocupação ambiental.”

No cenário mundial, segundo o diretor, a tendência está baseada como todas as outras, no consumo. “Começa na discussão que é a do nosso século, a preservação do planeta. Em alguns países os orgânicos entraram com maior intensidade e em outros, com pouca. Eles estão mais presentes no setor alimentício. Mais recentemente na cosmética.”

Até que o mercado de cosmético orgânicos brasileiro ‘acorde’ para a situação, a oferta de produtos ainda patina, na avaliação do pesquisador. “A minha avaliação é de quem analisa tecnicamente esse mercado. Não sou pragmático. O Brasil tem uma vocação especial pelos naturais, embora tenha poucos produtos dessa linha disponível,” diz o pesquisador.

O conceito orgânico ganhou espaço no mercado de cosméticos nos últimos dois anos com um crescimento que varia de 20% a 30%, com vendas globais da ordem de US 7 bilhões. “O interesse de grandes empresas de beleza por fusões e aquisições de pequenas empresas de orgânicos é um indicativo do contínuo desejo de explorar esse ramo”, diz o presidente da ABC, Alberto Keidi Kurebayashi.

A força do mercado da beleza impulsionou as vendas no ano passado. Os consumidores brasileiros gastaram R$ 25 bilhões em produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Nem as crises econômicas afetaram o setor, afirma o Khury. “Nos anos 80, o único mercado que cresceu no Brasil foi o cosmético. Para explicar vou usar as palavras de um economista que durante uma palestra resumiu o fenômeno. Durante a crise a população não pode trocar de carro, então troca a cor do batom, do cabelo e a maquiagem.”

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