Internacional

Igreja: 17 dissidentes serão soltos em Cuba


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Havana - Os preparativos para libertar 52 presos políticos em Cuba e enviá-los para a Espanha após um acordo mediado pela Igreja Católica foram acelerados ontem. A mãe de um dos presos disse que ele já estava a caminho de Havana. A libertação não foi confirmada ainda pela Igreja, mas um comunicado divulgado ontem informou que mais 12 presos devem ser soltos “em breve”, aumentando de cinco para 17 a lista dos que serão soltos.

O Arcebispado de Havana emitiu ontem um segundo comunicado informando das sete libertações. Elas se somam às cinco anunciadas há poucas horas e a outras cinco divulgadas na quinta-feira passada.

Não ficou claro se esse anúncio de novos nomes a serem libertados “em breve” significa que eles serão libertados antes do que os quatro meses que a Igreja inicialmente previu como prazo máximo.

Os 52 homens estavam entre 75 dissidentes políticos presos em 2003, em uma ação enérgica do governo cubano que prejudicou suas relações diplomáticas. Outros já foram soltos, a maioria por motivos de saúde.

Eles cumprem penas que variam de 13 a 24 anos de prisão por violar as leis cubanas destinadas a conter a oposição, e o que o governo chama de atividades subversivas.

Famílias

Moralinda Paneque, mãe do dissidente José Luís Garcia Paneque, disse à Reuters que foi avisada de que seu filho teria deixado a prisão perto de Las Tunas e estaria sendo levado até Havana, 660 km, por agentes de segurança do Estado.

Segundo Paneque, o plano do governo seria reunir a família na capital cubana, de onde tomariam um voo juntos para Madri. Ela disse não acreditar que partiriam neste sábado.

“Estamos esperando um carro do governo vir nos pegar a qualquer minuto para nos levar a Havana.”

A família de outro preso, Antonio Villarreal, estava sendo levada pelas forças de segurança da cidade de Santa Clara até Havana, 270 km a leste, disse um membro da família em Santa Clara.

Irene Viera, mulher do preso Julio Cesar Galvez, disse que ela e seu filho, que vive em Havana, foram convocados para exames médicos no domingo antes da viagem para a Espanha. “Já estou dizendo adeus aos amigos”, disse ela.

Famílias de outros presos disseram que agentes da segurança do Estado os aconselharam a ficar prontos para partir a qualquer momento. Aparentemente, os presos não poderiam voltar para casa antes de deixar Cuba.

Negociação

Na última quarta-feira, a Igreja Católica cubana anunciou que o governo concordou em libertar 52 presos políticos, em uma grande concessão à pressão internacional para melhorar as condições de direitos humanos na ilha.

Os 52 homens parecem ser os que permanecem na prisão entre o chamado Grupo dos 75, presos na repressão da Primavera Negra de 2003, e condenados a penas de até 28 anos de cadeia.

O anúncio foi feito após recentes diálogos entre o presidente cubano, Raúl Castro, e o líder da Igreja Católica em Cuba, cardeal Jaime Ortega. A Igreja assumiu um papel mais determinante nos assuntos internos da ilha desde maio.

Também veio logo após um encontro entre o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, com autoridades cubanas nesta terça-feira. Moratinos disse que foi à ilha para oferecer apoio aos esforços da Igreja.

“Sentimos uma enorme satisfação. Abre-se uma nova etapa em Cuba, com o desejo de solucionar definitivamente a questão dos presos”, disse Moratinos, em sua primeira manifestação pública ao anúncio das libertações.

Recorde

Essa deve ser a maior libertação realizada pelo governo cubano desde 1998, quando 101 presos políticos estavam entre 300 prisioneiros soltos, após uma visita do papa João Paulo 2º.

Com isso, o número de dissidentes atrás das grandes cairia para cerca de cem.

A decisão também poderia melhorar as relações da ilha comunista com os EUA e a Europa, que há muito tempo pressionam Havana para libertar presos políticos.

No começo desta semana, a Comissão Cubana de Direitos Humanos disse que Cuba mantém 167 presos políticos, incluindo dez em liberdade condicional. Esse é o menor número desde a revolução de 1959, que pôs Fidel Castro no poder.

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