Botucatu - Pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), que analisou a morfologia do diafragma de ratos com insuficiência cardíaca, foi premiada durante o 9º Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, em Curitiba (PR). De autoria da bióloga Aline Regina Ruiz Lima, o estudo tentou compreender prováveis causas de anormalidades próprias do músculo, responsável pela respiração humana, que limita a cavidade abdominal da torácica e serve de suporte ao coração.
Foram analisadas as possíveis causas de anormalidades e sua relação com a doença cardíaca. Durante seis meses, um grupo de ratos passou por procedimento cirúrgico para a indução do infarto do coração, que culminou no desenvolvimento de insuficiência cardíaca. A expectativa era poder delinear quais fatores são responsáveis pelas disfunções do músculo diafragma observadas nessa situação.
A insuficiência cardíaca é caracterizada pela incapacidade em realizar exercícios físicos e atividades cotidianas devido à ocorrência precoce de fadiga e falta de ar. Os mecanismos responsáveis por esses sintomas ainda não estão completamente esclarecidos, salienta a pesquisadora. “Quando o paciente está com insuficiência cardíaca, normalmente ele apresenta muito cansaço, falta de ar, dificuldade em respirar e realizar tarefas simples do dia-dia. Esses sintomas são, em grande parte, decorrentes da disfunção do diafragma que acompanha a doença cardíaca.”, declarou.
Como resultado, o diafragma apresentava alterações que consistiam desde a maior lentidão de contração e alteração da proteína miosina-essencial para que ocorresse o movimento do músculo. Foi observado ainda que as anormalidades do diafragma estão relacionadas ao grau de severidade da disfunção cardíaca. Em humanos, o infarto cardíaco mata mais de 140 mil pessoas por ano e derrames, 130 mil. São as principais causas de mortes por doenças cardiovasculares no mundo.
Segundo Aline, ainda não é possível conhecer os mecanismos responsáveis por tais alterações. Através do experimento, foi possível constatar que mudanças do diafragma não estão relacionadas com os fatores de regulação miogênica- genes que regulam alterações na musculatura. “Estudos recentes têm demonstrado que anormalidades da musculatura esquelética podem ter papel importante na intolerância aos esforços observada em pacientes com falência cardíaca crônica”, explica.
Para a pesquisadora, os resultados obtidos realçam o fato de que as anormalidades da musculatura do diafragma estão relacionadas ao grau de severidade da disfunção cardíaca. “Já foram descritas diversas alterações na musculatura esquelética durante a insuficiência cardíaca, em especial no músculo diafragma. Entretanto, não são conhecidos os mecanismos regulatórios e as vias sinalizadoras intracelulares responsáveis por essas alterações”, ressalta Aline.
“São necessários outros estudos para que a causa da disfunção seja descoberta. A partir daí, pode-se estabelecer uma estratégia terapêutica. Além disso, com esse trabalho, observamos que quanto mais grave a insuficiência cardíaca mais grave é a disfunção no diafragma”, concluiu a pesquisadora.
O trabalho deverá ser publicado, nos próximos meses, nos anais do Congresso Brasileiro e também no suplemento dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, uma das maiores revistas do segmento no Brasil.