As populações pobres não cabem nas cidades. É o que estamos vendo, impotentes, agora com as chuvas que se abatem sobre os país, no Nordeste, exibindo uma estrutura urbana iníqua que exclui, expulsa e mata os pobres das cidades. Já foi assim em Santa Catarina, Rio de Janeiro e agora Nordeste. Até quando?
O lugar dos pobres neste modelo de cidade é o morro, a favela, as encostas, numa palavra, a periferia. Mas, é preciso dizer, as chuvas são fenômenos naturais, mas a favela, a pobreza e a periferia, não.
As cidades, da maneira como foram historicamente construídas e até nossos dias, denunciam e escancaram a precariedade do nosso sistema urbano. Todas iguais, as cidades seguem estruturadas de modo a expulsar para as periferias os pobres, sempre e somente eles.
As chuvas que castigam o país castigam especialmente as cidades e seus moradores pobres com suas casas e barracos precariamente amontoados e construídos sem os mínimos recursos civil o que agrava os riscos e provocando os desastres que estamos assistindo.
As chuvas, ao revelarem a precariedade do sistema urbano, denunciam o crescimento e o inchaço das cidades e seu falso processo de desenvolvimento amenizado com campanhas de ajuda e solidariedade que não vão às causas do desafio. Por isso, os pobres, nas cidades, não tem vez e nem voz. Até quando?
Somente os poderes públicos e seus atentes têm condições de enfrentar este desafio. Temos conhecimento dos vários programas concebidos para minimizar os problemas dessas populações.
São iniciativas que merecem reconhecimento, porém não basta, é preciso ir na origem desse problema que só os ingênuos e os conservadores de sempre não conhecem ou fingem não conhecer a concepção política e ideológica que gerou essa iniquidade.
O autorprofessor , Isaias Daibem, foi vereador na Câmara de Bauru e é colaborador de Opinião