São Paulo - Depois de uma acareação na manhã de ontem, o vigia Evandro Bezerra da Silva, suspeito de envolvimento na morte da advogada Mércia Nakashima, 28, negou conhecer a testemunha que, segundo a polícia paulista, afirmou que ele recebeu R$ 5 mil do ex-namorado da jovem, também acusado pelo crime.
Silva ficou frente a frente com o homem. Segundo o delegado responsável pelo caso, Antônio Olim, a suspeita depois da acareação é que a testemunha esteja mentindo.
“Não recebi nada e não conheço (a testemunha)”, afirmou Silva quando deixou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após a acareação, para voltar para a prisão. A polícia afirma que agora vai investigar as divergências entre os depoimentos.
Antes da acareação, Olim afirmou que a testemunha havia relatado duas conversas telefônicas com Silva. Na primeira, o vigia teria dito que recebeu a oferta de R$ 5 mil para “fazer coisa errada” e perguntou o que Silva achava. Na segunda, depois da morte de Mércia, Silva teria dito que estava sendo ameaçado e pediu ajuda à testemunha.
O homem procurou a polícia em companhia da família de Mércia, dizendo que conhecia o vigia e gostaria de ajudar nas investigações. Os dois teriam se conhecido porque a testemunha fazia “bicos” para Silva. “Outras pessoas vieram aqui dizendo que viram a Mércia, que viram o Mizael na (via) Dutra, e era tudo mentira”, disse o delegado. Para ele, a testemunha pode ser uma dessas pessoas “que está querendo aparecer”. O delegado disse que abrirá um inquérito por falso testemunho caso seja comprovado que o homem mentiu para a polícia.
Ainda segundo Olim, é preciso investigar também se Silva foi apenas buscar Mizael Bispo de Souza -ex-namorado de Mércia- na represa, como afirmou em depoimento, ou se participou da morte de Mércia. Mas ressaltou que a versão do vigia bate com o que foi dito pelo pescador que viu o carro de Mércia ser empurrado na represa.