Os portugueses dizem que o Brasil não foi descoberto, foi inventado por Cabral. Todos nós sabemos, desde os primeiros bancos escolares, que o almirante português procurava o caminho das Índias e veio dar na Bahia ao se desviar das calmarias em costa d’África. O que Cabral descobriu, na verdade, foi um “porto seguro” para desembarcar e desfrutar de um paraíso habitado por índios sem pudores para esconder suas “vergonhas”.
Se Cabral descobriu ou inventou o Brasil, pouco importa. A verdade é que passou à história por ter possibilitado o surgimento de uma grande nação. Porto Seguro é hoje uma atração para o turismo jovem, popular, cheio de baladas e muito axé até o sol raiar. A nudez nas praias é ainda muito parecida com a dos nativos de 1500.
Do outro lado do rio Buranhém, que se atravessa de balsa em cinco minutos, está Arraial D’Ajuda, descoberta não por Cabral, mas pelos hippies, nos anos 1970. A chamada Costa do Descobrimento não tem mais do que 150 quilômetros e pode ser percorrida de carro, sem sustos. De Bauru a Porto Seguro são 1.600 quilômetros de boas rodovias. De avião o percurso não dura mais do que duas horas e há pacotes com saída e retorno no Aeroporto Moussa Tobias.
Porto Seguro, na verdade, são três destinos num só. A cidade é agitada. Os luaus se repetem em noites de céu estrelado, nas megabarracas de praia. Baladas acontecem na chamada “Passarela do Álcool”. Na verdade, é um trecho de rua cheio de barzinhos e restaurantes com mesinhas na calçada, às margens do rio Buranhém.
Do outro lado da foz, que se atravessa por balsa em cinco minutos, está Arraial D’Ajuda. Os bichos-grilo se sofisticaram. Desde a década de 1970, na esteira dos hippies, vieram turistas brasileiros e estrangeiros encantados com sua magia. São dezenas de hotéis, muitas pousadas e restaurantes de todos os tipos. A hospitalidade é uma regra. A simpatia acolhedora está em cada canto.
A culinária é famosa por reunir refinada cozinha internacional e as famosas especialidades baianas. São restaurantes de culinária francesa, italiana, argentina, japonesa, chinesa, tailandesa e por aí vai.
Chama a atenção a preocupação constante dos moradores com a preservação do meio ambiente e sua luta pela conservação do lugar, mostrando para os turistas a importância de respeitar a natureza.
As praias têm um encanto selvagem e, ao fundo, quando não se vê a Mata Atlântica, quase intacta, damos de frente para os paredões das falésias de 40 metros de altura. Os recifes formam piscinas naturais de água morna. Há quem se habilite a uma caminhada de 12 quilômetros até Trancoso, o terceiro grande destino. É uma delícia caminhar pelas areias fofas, cruzar pequenos rios de águas límpidas e respirar o ar marinho. Trancoso tem nariz empinado e mansões milionárias.
Já Arraial D’Ajuda é uma síntese de tudo o que a Costa do Descobrimento nos proporciona. De reduto hippie que disputava com Arembepe no final do século passado, hoje exibe a sofisticação da rua Mucugê - segundo os arraianos, “a mais charmosa do Brasil” -, cheia de restaurantes e butiques, lembra a rua das Pedras, de Búzios. Na alta temporada, o comércio abre às 16h e fecha às 7h.