Política

Turino aponta o individualismo como obstáculo para ação cultural

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Ex-secretário Nacional de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Célio Turino, esteve ontem em Bauru para difundir as propostas de sua candidatura para deputado federal pelo PC do B. Ele defende a transformação do programa chamado de Pontos de Cultura em política pública de Estado.

“No Brasil, temos 8 milhões de pessoas envolvidas nos Pontos de Cultura. Temos projetos funcionando em aldeias indígenas, favelas, assentamentos rurais”, salienta Turino. “A cultura tem interface com a educação. Uma das propostas é estender os Pontos Culturais em escolas públicas, com um custo de 5 mil reais mensais”, projeta.

Segundo o candidato a deputado, o maior empecilho para que as políticas culturais virem políticas de Estado seria o comportamento social contemporâneo, que alimenta uma postura individualista.

“O imediatismo, o comportamento hedonista e egoísta gerado pelo neoliberalismo distancia as pessoas de práticas culturais. Precisamos restabelecer o sentido da utopia. Quanto mais imediato é o nosso horizonte, menos nos desenvolvemos, menos avançamos. E o desenvolvimento cultural depende de um comportamento mais reflexivo”, aborda.

Para o trabalho, o candidato diz que incentivará práticas de economia solidária e cooperativa, principalmente na área ambiental e de consumo. “Com trabalho cooperativo, comércio justo e consumo consciente, o próprio desenvolvimento das cidades se dará de outra forma”, sublinha.

No Brasil, são 3 mil Pontos de Cultura, sendo 500 deles no Estado de São Paulo, tendo como maior público a juventude. “O significado disso é o estabelecimento de uma rede de Pontos de Cultura nas cidades a partir da gestão da prefeitura. A essência do programa é juntar a diversidade, quanto mais diversidade melhor. Então cabe um grupo de música erudita, de teatro amador, de cultura popular, de hip hop, ações sócio educativas em bairros. É ideia é ter de tudo”, explica.

Em Bauru, 10 pontos culturais foram disponibilizados por meio do convênio com o MinC.

Para participar da ação, foi lançado edital em março deste ano. Puderam disputar pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos.

De acordo com a Secretaria Municipal da Cultura, a seleção das entidades já foi realizada e está em fase de cadastramento de documentação.

O convênio, assinado em outubro na cidade, disponibilizará R$ 900 mil em recursos, com igual contrapartida do município – o que totaliza o montante de R$ 1,8 milhão.

Cada Ponto de Cultura receberá o montante de R$ 180 mil, dividido igualmente durante o período de três anos.

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