O aumento do número de furtos de veículos com poucos anos de fabricação tem preocupado a Polícia Militar (PM) de Bauru, especialmente porque os ladrões aprenderam a burlar um mecanismo de segurança criado pelos fabricantes para dificultar a prática desse tipo de crime. Os modelos mais visados são os nacionais considerados populares, fabricados entre 2005 e 2007 e com motor 1.6, que possuem grande aceitação no mercado ilegal de veículos e peças automotivas.
Conforme explica o coordenador operacional do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), capitão Flávio Jun Kitazume, os automóveis fabricados a partir de 2001 passaram a contar com um dispositivo eletrônico chamado módulo imobilizador, responsável pelo reconhecimento das chaves codificadas dos veículos, e assim, por fazer com que o carro seja ligado através da ignição. O problema é que os criminosos descobriram que, ao trocar o dispositivo original do veículo por outro que já tem uma chave codificada desbloqueada, o carro poderia ser ligado.
Kitazume explica que a maioria dos crimes é cometida para o aproveitamento de apenas algumas peças do carro que, via de regra, é abandonado posteriormente em algum lugar ermo. Segundo o capitão, os ladrões costumam retirar o jogo de rodas, estepe, bateria e aparelho de som do veículo furtado para rápida revenda no mercado negro. “São pessoas que têm conhecimento de mecânica, acesso a softwares da área eletrônica de veículos e a ferramentas específicas de chaveiros. Com elas, eles conseguem retirar o módulo original e substituí-lo por outro”, pontua.
Segundo o comandante, alguns modelos trazem o módulo acoplado na parte inferior do veículo e, com relativa facilidade e discrição, o ladrão mais experiente pode desativá-lo e instalar um novo sem ser notado. “Em razão da facilidade de acesso à peça e da facilidade do procedimento de desconectar e substituir essa peça, esses veículos novos se tornaram vulneráveis”, pontua.
Criminosos contumazes
Para o chefe do Comitê de Furtos de Veículos da Polícia Militar (PM) de Bauru e comandante da 4.ª Companhia da PM, capitão Paulo César Valentim, ainda não é possível afirmar que uma quadrilha especializada em burlar módulos imobilizadores esteja agindo na cidade. Para ele, a hipótese mais provável é que, com a facilidade de acesso a informações por meio da Internet, muitos estejam aprendendo a fraudar o dispositivo por conta própria.
De qualquer maneira, Valentim destaca aqueles que furtam automóveis são criminosos contumazes, em alguns casos detidos mais de uma vez em um curto espaço de tempo. “Foi o que ocorreu, por exemplo, com aquele rapaz (Moisés Cosme Maria, 20 anos) que capotou o carro na rua São Sebastião (na Vila Nova Esperança, no final de março). Ele tem vários boletins de ocorrência registrados contra ele por furto de veículos (sendo dois deles em um intervalo de menos de uma semana)”, comenta.
De acordo com Kitazume, a maior incidência de furtos de veículos tem sido registrada entre 11h e 19h, em locais próximos a escolas e áreas comerciais da cidade. “São os momentos e locais de maior concentração de veículos e, pela aglomeração de pessoas, os ladrões têm chances de passar despercebidos”, frisa.
Por conta dessa facilidade, a orientação é que os proprietários intensifiquem o sistema de proteção antifurto dos veículos com alarmes mais poderosos que os de fábrica, travas e, se possível, até mesmo rastreadores via satélite. Paralelamente, a PM está orientando o efetivo e adotando ações direcionadas para coibir este tipo de crime na cidade. Como grande parte dos carros furtados não é localizada, a suspeita é de que estejam sendo destinados a desmanches ou sendo adulterados ou clonados e repassados a lojas de revenda de outras cidades da região. “Por isso, ampliamos nossa atenção nos bloqueios ou abordagens do dia-a-dia a fim de identificar este tipo de veículo transformado”, conclui.