De acordo com a Prefeitura Municipal de Bauru, não houve um caso sequer de pessoa acometida pela gripe AH1N1 na cidade este ano. Resultado excelente se comparado com o ano passado, quando o município registrou 128 casos, com oito mortes. O índice também é positivo em relação a outras cidades, como São José do Rio Preto, que, ontem, confirmou uma criança de 2 anos com a doença e já soma 11 casos, com uma morte, somente neste ano.
O período considerado crítico para a proliferação da nova gripe vai do começo de maio até o fim de agosto. Segundo a diretora do Departamento de Saúde Coletiva de Bauru, Heloísa Lombardi, esse é o intervalo de tempo no qual o vírus age com maior intensidade.
“O outono/inverno é a época de circulação mais propícia para a doença. O tempo fica seco e frio e as pessoas acabam se aglomerando em locais fechados. A possibilidade de transmissão do vírus é muito grande”, explica.
Em relação ao baixo índice da gripe AH1N1 em Bauru, Heloísa atribui ao processo de vacinação. “É uma doença nova e, mesmo assim, em termos de um ano, já se conseguiu uma vacina eficaz. O principal ponto de não haver casos registrados na cidade realmente é o amplo processo de vacinação”.
Em Bauru, o índice geral de cobertura da vacinação foi de 92,37%, ultrapassando a meta de 80% estipulada pelo Ministério da Saúde. Ao todo, foram vacinadas 148.287 pessoas, de uma população alvo estimada em 162.430.
Apesar desse número, um dos grupos de risco ficou abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde: as gestantes. Heloísa Lombardi acredita que a baixa adesão pode ser motivada pelo medo e desinformação.
“Muita gente fala que grávida não pode tomar qualquer medicamento até o primeiro trimestre da gestação. Achamos que esse tipo de desinformação pode ter causado esse número abaixo do objetivo. Mas as gestantes podem e devem tomar a vacina. É algo muito importante”, finaliza.
Novos hábitos
Além da vacinação, a diretora do Departamento de Saúde Coletiva atribui aos hábitos criados durante o surto da nova gripe, no ano passado, um papel fundamental. Ela afirma que “muitos adotaram esses procedimentos em suas rotinas. A higiene com as mãos e o cuidado quando alguém vai tossir e espirrar são vistos até hoje. E isso é muito positivo”.
Outro costume adotado é o uso do álcool em gel. É comum ver estabelecimentos comerciais e até mesmo pessoas carregarem o produto em suas bolsas. “Esses dias vi algo que me deixou muito feliz. Era uma escola particular de crianças pequenas. Uma moça ficava na porta com o álcool em gel e os pais precisavam limpar as mãos com o produto antes de entrar na escola. Foi uma recomendação que está sendo seguida até hoje”, exemplifica.
E essa mudança nos hábitos não é favorável somente no combate à gripe AH1N1. Heloísa Lombardi afirma que o procedimento pode ajudar na prevenção de outras doenças transmitidas por vias respiratórias.
“A própria gripe normal e a meningite são doenças que tem a forma de transmissão semelhante à gripe A. Não temos registros e dados de que, com esses novos hábitos, realmente diminuíram essas doenças, mas isso é uma tendência. A pessoa acaba se protegendo mais”, conclui.
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Profissionais da educação têm até hoje para se vacinar
Os profissionais das redes de ensino pública e particular podem se vacinar contra a gripe AH1N1 até hoje.
Aqueles que ainda não tomaram a vacina devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, das 8h às 17h, ou, dependendo do horário da Unidade, das 19h às 21h.
Para receber a vacina, o profissional deve apresentar documento de identidade com foto e comprovante de trabalho das redes de ensino, como holerite, carteira de trabalho ou declaração da escola.
Além dos professores, estão sendo vacinados os funcionários do quadro pedagógico e de apoio escolar. De acordo com informações da Secretaria de Estado da Educação, estima-se que 4.042 profissionais da rede de ensino do Estado sejam vacinados.