O encontro “Unidos por São Paulo”, que contou com a presença do candidato ao governo do Estado pelo PSDB, Geraldo Alckmin, dos candidatos ao Senado pela coligação, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Orestes Quércia (PMDB), além dos candidatos tucanos de Bauru a deputado federal, Carlos Braga, e a deputado estadual, Pedro Tobias, reuniu cerca de 1.500 pessoas, na manhã de ontem, no ginásio da Instituição Toledo de Ensino (ITE).
Desde antes das 10h, horário previsto para o início do evento, dezenas de prefeitos (50, segundo os organizadores), além de vereadores e políticos da região das mais diversas legendas procuravam um espaço livre nas cadeiras para poder acompanhar de perto os discursos dos tucanos. O primeiro a chegar foi Aloysio Nunes Ferreira, que já foi logo cercado pela multidão que o aguardava. Na sequência, chegaram Orestes Quércia e, com duas horas de atraso, Geraldo Alckmin.
O tempo de espera não desanimou os presentes, que lotaram de faixas o ginásio da ITE em homenagem aos candidatos. O atraso foi justificado pela atribulada agenda do candidato a governador que, antes de vir a Bauru, participou de visitas e encontros em Marília. Apesar da expectativa da presença do candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, um compromisso agendado na Bahia impediu que ele participasse do encontro.
Um dos mais elogiados pelos candidatos, o deputado estadual Pedro Tobias destacou que não está em campanha. “Faço campanha há 12 anos. Eu não faço campanha só em época de eleição”, disse, em tom de brincadeira. Na reta final de seu terceiro mandato, ele garante que vai dar continuidade às suas ações se conseguir a reeleição e se comprometeu a lutar pela duplicação da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru/Iacanga. “Eu acredito que vai sair”, diz.
Carlos Braga, candidato tucano a deputado federal por Bauru, afirmou que a campanha eleitoral estava começando, na prática, ontem, e destacou a importância da cidade contar com representante na Câmara dos Deputados. “O grande enfoque da nossa campanha, além das propostas que vamos apresentar, é ter representatividade em Brasília”, argumenta.
“Em todos esses últimos anos, nós não tivemos essa representatividade e só tivemos recursos vindos do Estado de São Paulo, através do governador Serra, do governador Alckmin e pela liderança do Pedro Tobias. É importante que nós tenhamos isso também em Brasília para que os recursos venham para nossa região”.
O deputado federal Lobbe Neto (PSDB) ressaltou que, se for reeleito, pretende continuar o trabalho desenvolvido junto à Frente Parlamentar de Saúde com o objetivo de melhorar as condições do setor no País, sobretudo das Santas Casas, e melhorar o valor dos serviços pagos aos profissionais que atendem pelo Sistema Único de Saúde.
“A saúde é um problema geral, não só em Bauru, mas no Brasil. Temos poucos investimentos no Brasil do governo federal. Por isso, estamos trabalhando bastante para votar a Emenda 29, que seria justamente para obter mais recursos para a área da saúde”, explica. “A Emenda 29 era para ser votada há muito tempo e a gente não consegue pautá-la”.
Após o encontro em Bauru, Alckmin iria reunir-se com lideranças políticas em Catanduva e São João da Boa Vista. À noite, o candidato visitaria a Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de São João da Boa Vista, no Recinto de Exposições José Ruy de Lima Azevedo.
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Aloysio Nunes se compromete a lutar para implantar voto distrital
O candidato a senador pelo PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, defende a implantação do voto distrital como forma de aproximar candidatos eleitos de suas bases. O compromisso de lutar pela alteração da legislação eleitoral foi assumido por ele em discurso proferido ontem na presença de cerca de 1.500 pessoas, em Bauru. Para o ex-chefe da Casa Civil, o atual sistema eleitoral brasileiro é irracional por permitir que os eleitos não tenham compromisso algum com suas bases.
No encontro, realizado na ITE, ele rebateu declarações do presidente Lula de que, no Estado de São Paulo, o andamento de projetos estaria sendo ‘travado’ pela demora na concessão das licenças ambientais.
“Ele está mal informado. Nós temos um sistema ágil de licenciamento. Nossas obras são, do ponto de vista ambiental, absolutamente corretas”, pontua. “Evidentemente, nós temos que tomar cuidado com o meio ambiente. Não podemos ficar licenciando obras a torto e a direita. Mas não há, do nosso lado, nenhum emperramento.”
O candidato ao Senado aproveitou para criticar o governo federal e a demora na execução das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “Eu acho que, na verdade, o PAC tem grandes problemas de gerenciamento, grandes problemas na execução das obras. Por isso, ele (Lula) está buscando uma desculpa para encobrir a ineficiência de seu governo”.
Aloysio se declara totalmente contrário à proposta discutida pelo Congresso Nacional de instituir o fim da cobrança da Previdência Social sobre os contribuintes inativos. “Nós temos um problema sério na Previdência Social, especialmente na área pública”, alega.
“Nós temos hoje, no setor público federal, 900 mil pessoas. O déficit da Previdência pública federal é maior do que o déficit do INSS, que cobre 27 milhões de pessoas, dos quais dois terços ganham um salário mínimo. Nós não podemos tirar recurso da Previdência Social sob pena de aprofundarmos um buraco muito grande nas contas públicas brasileiras”.
Se eleito, ainda declarou que quer manter atuação semelhante à do deputado estadual Pedro Tobias, conhecido pela expressiva quantia de recursos conquistados para Bauru e região. “Hoje, São Paulo está órfão no Senado. Arrecada muito e recebe pouco de Brasília. Quero ser senador para defender os grandes interesses do Estado, e não de um único partido”, afirma.
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Orestes Quércia sai em defesa da autonomia do PMDB nos Estados
O segundo candidato da chapa tucana ao Senado, Orestes Quércia (PMDB), tenta minimizar o fato de boa parte de sua legenda apoiar o candidato do PSDB à presidente da República, José Serra, enquanto a Executiva Nacional declarou seu apoio, em Brasília, à candidata do PT, Dilma Rousseff.
“O PMDB tem autonomia em cada Estado. Aqui (em São Paulo), em Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Acre, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nós estamos apoiando o Serra para presidente”, declara. “Nós estamos no bom caminho. Quem está no caminho errado, historicamente falando, é a Executiva Nacional do partido”.
Quércia cita como situação curiosa a do candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa, que tem o apoio do PT. “Se nós fizermos uma avaliação dentro do partido, na base do partido, a maioria está com o Serra. Até em Minas Gerais, em que há o apoio do governo (federal) para o Helio Costa, o PMDB tem maioria apoiando o Serra”, pontua.
Apesar de não criticar o caráter da candidata do PT à presidente, o candidato ao Senado cita que Dilma nunca exerceu cargo político importante que a qualifique para comandar o País. “O Serra tem melhores condições de dirigir o Brasil do que a candidata do governo”, afirma.
“Ela é uma pessoa honesta, uma pessoa boa, mas não tem experiência. Nunca foi vereadora, nunca foi deputada, nunca teve cargo de responsabilidade, e as pessoas sabem que isso é ruim”, afirma. “Como é que uma pessoa sem experiência pode fazer uma mesa ou pode consertar o encanamento da sua casa? E presidente da República é ainda pior”, complementa.
Quércia definiu a escolha de Dilma como sucessora do presidente Lula como uma “afronta ao Brasil” e disse que seu nome só foi lembrado por causa dos constantes escândalos que envolveram grandes nomes do partido nos últimos anos. “Ele tinha alguns candidatos com mais experiência, mas eles foram jogados fora pelo aparecimento do Mensalão”, diz.
O ex-governador também não poupou críticas a maneira como o PT conduziu o processo de definição do nome de Aloízio Mercadante como candidato ao governo do Estado de São Paulo. Segundo ele, a escolha só ocorreu em razão do cargo ter sido preterido por Marta Suplicy e porque Ciro Gomes (PSB) não conseguiu viabilizar sua candidatura.
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Plano de governo tucano vai priorizar a interiorização dos investimentos
Durante o encontro “Unidos por São Paulo”, que reuniu ontem cerca de 1.500 pessoas na Instituição Toledo de Ensino (ITE) para prestigiar a candidatura de Geraldo Alckmin a governador, Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia ao Senado, Carlos Braga à Câmara Federal e Pedro Tobias à Assembleia Legislativa, o coordenador do programa de governo do candidato tucano ao governo do Estado, o deputado federal José Anibal (PSDB), garantiu que, se eleito, Alckmin vai priorizar a interiorização dos investimentos e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias na cidade.
Anibal, que concorre a uma nova vaga pela Câmara dos Deputados, explica que o plano inicial de governo de Alckmin, apresentado à Justiça Eleitoral para garantir o registro de sua candidatura ao governo do Estado, contempla 11 pontos principais, divididos por grupos de trabalho. Além das questões de interesse geral, como Educação, Saúde e Segurança Pública, ele conta que o documento final, com lançamento previsto para 6 de agosto, prevê ações na região de Bauru.
“Nós estamos dando uma atenção especial ao desenvolvimento regional. São Paulo é o Estado que concentrou muito o desenvolvimento nas regiões metropolitanas”, declara, citando, além da própria capital, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos. “Esse Interior - e Bauru é um pouco a capital - que está estruturado, tem autopista, tem bons aeroportos, tem escolas técnicas, faculdades de tecnologia, tem condições de acolher investimentos que agregam mais valor”, diz.
Um dos setores que, na opinião dele, precisam ser melhor explorados, refere-se à tecnologia na área de informática, com foco na produção de componentes (hardwares), em razão da grande oferta de cursos de qualificação de mão-de-obra na cidade e da boa logística regional, que engloba hidrovias, ferrovias, rodovias e aerovias. “Nós vamos procurar desenvolver uma política de desenvolvimento regional mais forte, incentivando mais esse Interior de São Paulo”.
Outra área que, segundo Anibal, merece uma atenção especial pelo seu poder de agregar valor é o etanol, amplamente produzido na região. “Já é decisão do governador que nós vamos fazer a pós-geração de energia com bagaço de cana, ou seja, gerar energia para o funcionamento da usina, mas gerar excedente para ir para a rede através da modernização das caldeiras”, explica. “A base está constituída. É uma questão, agora, de gestão e estímulo. E isso nós vamos fazer”.
O valor das tarifas de pedágio, considerado elevado pela maioria dos usuários das rodovias paulistas, também é alvo de estudos por parte dos tucanos. Embora não haja definição sobre o assunto, Anibal não descarta a implantação de uma eventual cobrança por quilômetro rodado. “O Alckmin tem essa atenção e estamos estudando essa viabilidade por quilômetro”, afirma. “Sempre que é possível você rever preços públicos, você deve procurar rever”.
Contudo, o deputado federal ressalta que a cobrança de pedágio garantiu que o Estado de São Paulo não fosse atingido por um “apagão logístico” ao longo dos anos. “Se São Paulo não tivesse feito esse investimento, não teríamos como chegar a Santos pela Imigrantes, Rodoanel”, rebate. “Com esse sistema que temos hoje, nós evitamos apagão logístico e melhoramos a qualidade das estradas, com impacto fortíssimo na redução de acidentes e até mesmo mortes”.