Regional

Voto ‘distrital’ poderá ocorrer naturalmente

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O voto distrital, que dependia da reforma política, ainda não saiu do papel, mas pode acontecer espontaneamente nas várias regiões do Estado. Isso porque a cidade de origem do candidato é também onde ele tem maior densidade eleitoral, ou seja, teoricamente onde ele vai receber o maior número de votos.

Para o cientista político Celso Zonta, o voto distrital espontâneo vai ocorrer de uma certa forma. “Toda cidade de origem carrega o interesse local e regional na escolha do candidato. É bem verdade que não o suficientemente para elegê-lo, quando se trata de municípios de pequeno para médio porte. As cidades médias têm mais probabilidade de eleger um candidato com os votos majoritários.”

Ele é enfático em dizer que há muitos candidatos. Mas lembra que cada cidade tem um histórico diferente, que traz resultados distintos. "Em Bauru, cerca de 50% a 60% de eleitores da cidade tendem a votar em candidatos daqui. O restante vota em candidatos de outros lugares. Já em Marília e Jaú o comportamento da população é mais local. Eles são ‘bairristas’ e tendem a focar mais os candidatos locais, o que diminui a performance dos candidatos externos, conhecidos como paraquedistas".diz Zonta.

De modo geral, observa, os candidatos de cidades de menor porte não vão conseguir obter a totalidade de votos necessárias para serem eleitos e terão que buscar o eleitor de cidades vizinhas. “Esse termo paraquedista leva a crer que o candidato de fora de sua cidade caiu de paraquedas e que não é o ideal. Porém, nem sempre isso ocorre.”

Para ele, é muito importante que a cidade tenha um representante, uma vez que ele terá melhores condições de listar as necessidades e cobrar melhor os resultados. “Essa proximidade com o candidato é interessante porque ela facilita o processo democrático, a representação. O eleitor tem mais acesso e pode cobrar as ações. O candidato eleito também tende a focar suas ações onde tem mais densidade eleitoral, geralmente em suas cidades de origens.”

O princípio da democracia presente nessas eleições é a noção de que o candidato tem essa representação no parlamento, argumenta Zonta. “É que ele represente não só sua cidade, mas uma região, porque não é possível ter representante de cada uma delas na Assembleia Legislativa. São regiões onde ele tem poder de abrangência e possibilidade de atuar regionalmente. Implica que a cidade e a região têm projetos específicos sendo defendidos no parlamento.”

Para o analista, alguns candidatos estão se lançando com objetivos mais a longo prazo. Ele explica por quê. “Algumas candidaturas são para colocar o seu nome em evidência e posteriormente se lançar candidato a prefeito ou a vereador. O processo eleitoral é um momento privilegiado, uma maneira do candidato formatar sua imagem perante o público, circular entre os eleitores e se fazer conhecido.” A pessoa que tem planos políticos tem que sair candidato não só para medir sua densidade eleitoral, mas porque, dependendo do número de votos que receber, pode ser chamado para fazer parte do governo. “Se o governo daquele partido for eleito e ele obteve uma votação significativa, porém não o suficiente para ser eleito, ele ao menos ganha espaço. É comum no contexto da vid partidária que aquele que tem força política represente aquela região junto ao governo.”

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