Economia & Negócios

Mutirão da CDHU negocia dívidas

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Na manhã de ontem, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) disponibilizou atendentes e um coordenador dos plantões de inadimplência para auxiliar alguns dos 219 mutuários solicitados pela autarquia em Bauru, residentes do Núcleo Fortunato Rocha Lima, a renegociar suas dívidas com os imóveis adquiridos.

Benedito Maria dos Santos, que é morador do núcleo desde a sua inauguração, saiu satisfeito do atendimento. “Eu consegui renegociar minha dívida para R$ 111,13 e agora estou tranquilo”, afirmou, sorrindo.

Assim como ele, o casal Edvando da Silva e Mirian Cristina da Silva, moradores do local há 12 anos, também conseguiu solucionar o problema com os débitos do imóvel. “Nós conseguimos renegociar a dívida para um valor acessível. Fomos muito bem recepcionados”, ressaltou Edvando.

Para Pablo Miranda, coordenador de plantões de inadimplência, ente 40% e 60% dos convocados pela CDHU comparecem aos plantões. “Nós convocamos o pessoal, nem todo mundo vem, mas conseguimos atender mais da metade dessa parcela”, explica.

Pablo ressalta que podem ser encontrados vários tipos de dívidas e que é importante que o mutuário convocado compareça ao plantão para auxílio dos atendentes.

“As pessoas podem ter pequenas dívidas, grandes, ou até nunca ter pago nenhuma parcela do financiamento. Então, cada situação é isolada. No caso de pessoas que fogem da dívida nós entramos com um comunicado extra-judicial para reintegração de posse, mas isso é bem difícil, nós tentamos negociar”.

O coordenador de plantões estima que de 20% a 35% dos débitos fossem negociados ainda ontem. O mutirão de atendimento da CDHU recebeu mutuários convocados das 9h às 14h.

Histórico

Em Bauru a CDHU construiu três núcleos: o Fortunato Rocha Lima, conhecido como Bauru G; o Bauru H, conjunto de prédios próximo ao residencial Marilu, e o Conjunto Primavera, localizado próximo ao Redentor, que estão com suas dívidas quase totalmente quitadas pelos mutuários.

Segundo Pablo Miranda, no Fortunato, dos 475 mutuários, 217 estão inadimplentes. E no Bauru H, 98 dos 249 mutuários se encontram na mesma situação. O Fortunato é um núcleo fruto de projeto da Prefeitura Municipal dos anos de 1995/1996 em parceria com o governo do Estado para acabar com várias favelas de Bauru.

A maioria das casas foi construída em regime de mutirão e passou a abrigar moradores de várias favelas, que foram extintas, como a do Barreirinho, a do Samburá, todos previamente cadastrados.

Entretanto, na época o projeto não saiu exatamente como se esperava. Sem escritura, só com contrato, muitos moradores acabaram revendendo suas casas verbalmente e ficaram sem moradia novamente.

Como muitos estavam acostumados à vida em favela, o núcleo acabou tomando essa forma na medida em que moradores depositavam material reciclável ao lado de casa, cavalo da carroça, entre outros. Em pouco tempo, muitas casas estavam sem janela, porta, etc.

É o que relatam os moradores Elaine Cristina de Almeida e Gerson de Figueiredo, que residem há 12 anos no núcleo. “Nós somos o segundo proprietário, e quando mudamos aqui a situação era muito ruim. Não tinha água, os moradores deixavam o lixo jogado e muitas das casas estavam com os vidros quebrados”, relata Elaine.

Ao questioná-la sobre a atual situação, ela abriu um sorriso e afirmou: “Hoje o bairro está 100%. Nós temos água, energia, rua asfaltada, iluminação adequada, coleta de lixo comum e também a coleta seletiva. Por esses dias o pessoal veio retirar uma parte do lixo que o pessoal acaba acumulando nas redondezas do bairro. Mas hoje está ótimo”.

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