O céu azul, o sol acolhedor e o clima ameno colaboraram com o domingo costumeiramente marcado pela solidariedade e ajudaram a levar cerca de 33 mil pessoas ontem ao churrasco da Vila Vicentina, segundo as expectativas dos organizadores. Famílias, casais e grupos de jovens se ‘esparramaram’ pelo gramado do abrigo, que só deve retomar sua rotina normal na próxima quinta-feira à noite.
Até lá, cerca de seis funcionários e alguns assistidos suarão a camisa para fazer o ‘rescaldo’ da festa, mais movimentada que no ano anterior. Após a limpeza, hora de planejar a aplicação dos recursos obtidos com o evento. De acordo com o presidente da entidade, Luiz Minorello, a expectativa é angariar com o churrasco deste ano entre R$ 75 mil e R$ 90 mil, montante a ser aplicado, por exemplo, na compra de um caminhão para recolher os móveis doados ao bazar da pechincha.
A Vila Vicentina também precisa melhorar o alojamento das mulheres e terminar a concretagem do muro no entorno do abrigo. Até janeiro, Minorello ainda espera fazer melhorias na enfermagem, ontem bastante movimentada. Para a felicidade dos acamados, visitas não faltaram durante todo o domingo. O carinho de desconhecidos aos idosos, muitas vezes esquecidos pelos próprios parentes, tornou-se certo no dia da grande festa, informa a enfermeira Regiane Deo Ricci.
Talvez seja essa a principal razão para os assistidos aguardarem a data com tanta expectativa. “O que eles querem é conversar”, garante a profissional, que presta serviços no local há nove anos. Ela nota, inclusive, melhora no quadro de saúde de alguns deles e desconhece reclamações em virtude do barulho levado pelos visitantes. Música e vaivém, de fato, não incomodam os internos José Martins e Benedito Lopes de Moraes, 75 anos. O último deles, mesmo com dores numa das pernas, percorreu o churrasco algumas vezes. Depois, foi descansar como fizeram várias famílias.
Passeio
Munidas de cadeiras e toalhas, muitas tiraram o dia para um piquenique. Numa rápida volta pelo gramado era possível verificar várias crianças dormindo pelo gramado, enquanto outras aproveitavam os brinquedos disponíveis. É o caso de Izabela Mariana, 2 anos, que ‘tirava um soninho’ enquanto os irmãos Julia Fernanda, 5 anos, e Pedro Gabriel, 6 anos, brincavam próximo aos pais Estevão Willians da Silva e Eliana dos Santos Silva. Acompanhados de outros parentes, o casal passou a tarde degustando o cardápio oferecido pelo evento.
“O sabor da carne é diferente. Não sei se é porque a gente prepara o espírito durante o ano todo, mas parece que é especial”, comenta Jaime de Oliveira Ferreira, que também levou a família e um casal de amigos. “Já estamos combinando para vir no próximo ano. Em São Paulo não tínhamos nada parecido”, comenta Danielle Pereira da Silva. Ela veio da Capital para morar em Bauru e ‘estreou’ ontem na Vila Vicentina. Se seguir os passos do amigo Jaime, não perderá mais nenhum outro churrasco.
A festa deste ano contou até com a presença de dona Maria Vilma Fornetti Avalone, 80 anos, que faltou há vários anteriores. Ontem retornou com a família para um ‘domingo diferente’. Observava a movimentação, enquanto a neta Andreia Guimarães aproveitava o evento para momentos românticos com o namorado Tiago Mangili.
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10 mil espetinhos
Como faz há 40 anos, ontem Elvira Belmiro, 63 anos, se dirigiu à Vila Vicentina para garantir seus espetinhos de carne. Além do consumido lá mesmo, levou outros cinco para os netos, que ficaram em casa. Até as 15h de ontem, oito mil dos dez mil espetinhos disponíveis já haviam sido comprados. Até então, a barraca campeã em vendas foi a da Santa Rita, cujos voluntários deram as mãos e rezaram algumas horas antes do término da festa.
“Fizemos um trabalho de produção, mas sem estresse”, comentou o advogado e voluntário Klaudio Coffani. Foram encomendados três mil quilos de carne e 500 quilos de lingüiça, preparados por parte dos 500 voluntários. Eles também trabalharam nas 25 barracas dispostas - da tradicional sardinha à nova de café e bolo, passando pela de pastéis doces e salgados, cachorro-quente, maçã do amor, morango com chocolate, canjica etc.