Mais da metade das 46 escolas de Bauru que participaram da última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) obtiveram nota acima da média nacional, conforme divulgou ontem o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep). Ao todo, 34 instituições públicas e 12 particulares realizaram a prova na cidade, no ano passado, sendo que 54% delas conquistaram nota maior que 529,63, média obtida no País numa escala que vai de 0 a 1.000.
Todos os colégios da rede privada tiveram êxito no exame e não receberam nota menor do que 550. No topo da lista está o Instituto D’incao, que conseguiu média de 676,34 e ficou entre as 60 escolas mais bem pontuadas do País, entre 24.159 escolas brasileiras.
Em seguida figura o Colégio Técnico Industrial (CTI-Unesp), o melhor da rede pública estadual com 665,67 pontos, de acordo com o resultado do Enem. A pior foi a escola Irmã Arminda Sbrissia, com 483,56 de nota (veja quadro ao lado).
Para o proprietário do Instituto D’incao, Carlos D’Incao, não existe apenas um fator para explicar o bom desempenho da escola no exame. Segundo ele, o conteúdo transmitido de maneira crítica, a carga horária de aulas estendida e o uso individualizado de computadores são apenas alguns dos aspectos que favoreceram o sucesso da instituição.
“Utilizamos uma pedagogia muito adotada na Europa e a psicologia sócio-histórica, que permite desenvolver o ser humano em suas máximas potencialidades através de um mediador. Então, fazemos sempre um investimento muito forte em professores qualificados”, frisa.
Assim como o D’Incao, o CTI dá preferência ao uso livros didáticos em vez de apostilas para ministrar as disciplinas. No entanto, além de conteúdo aprofundado e empenho do corpo docente, o diretor do colégio técnico aponta a motivação dos alunos - que ingressam no CTI através de processo seletivo - como fator preponderante para a instituição estar sempre bem posicionada no ranking no Enem.
“São realmente alunos que se esforçaram para estar no CTI e querem aprender o máximo que puderem. Nesse sentido, é importante o respaldo e o apoio da família, que precisa reconhecer o significado desse projeto de vida deles”, pontua Carlos Augusto Magalhães.
Entre as escolas estaduais “convencionais”, a melhor classificada foi a Morais Pacheco, que obteve 564,53 pontos no exame. Ainda que o colégio não disponha de toda a estrutura e tecnologia da rede privada, a diretora Vera Jerônimo revela que muitos alunos que fizeram a prova no ano passado foram aprovados em faculdades públicas ou obtiveram bolsa integral no Programa Universidade para Todos (Prouni), que utiliza as notas do Enem para fazer sua seleção.
“E muitos desses alunos estudam de manhã e trabalham à tarde, não têm todo o tempo disponível para dedicar aos estudos. Acredito que o diferencial está no comprometimento que eles tem demonstrado em sala de aula”, conclui.