Agudos – A ousadia e o ‘profissionalismo’ dos criminosos estão surpreendendo cada vez mais a polícia. Ontem, seis dias após a Polícia Rodoviária de Agudos (13 quilômetros de Bauru) apreender 50 quilos de maconha escondidos na caixa de ar do motor e estofados dianteiros e traseiros de um Astra com placas de Sidrolândia (MS), que seguia do Mato Grosso para a Capital pela rodovia Marechal Rondon (SP-300), a Polícia Civil do município desmontou o veículo e conseguiu localizar mais 37 quilos da droga no interior de um assoalho falso e dentro do encosto do banco traseiro.
Na última sexta-feira, a Polícia Civil de Lençóis Paulista, que no mesmo dia da de Agudos apreendeu um Ford Fusion com placas de Campo Grande (MT) com 17 quilos de maconha e um quilo de haxixe, e prendeu em flagrante Claudevino Campanha, 45 anos, e seu filho Thiago Campanha, 20 anos, desmontou o veículo com auxílio de mecânico e conseguiu localizar mais 87 quilos de maconha, divididos em 85 tijolos, escondidos na lataria do automóvel.
Segundo o delegado titular de Agudos, Jader Biazon, a droga estava dividida em 32 tijolos, que tinham um cavalo como símbolo de identificação do fornecedor.
Vinte e seis pacotes da droga estavam escondidos no assoalho falso do Astra enquanto os outros seis foram encontrados no interior do estofado do banco traseiro. “Diante das informações do encontro de droga em Lençóis, nós procedemos uma vistoria minuciosa e hoje (ontem) conseguimos achar mais droga”, revela.
O trabalho de vistoria no veículo contou com auxílio de técnico especializado da Polícia Civil, já que, de acordo com o delegado, seria impossível identificar visualmente os compartimentos falsos.
“O técnico constatou que a diferença de altura entre o assoalho e o teto era menor do que em um veículo de fábrica”, diz. “A cada dia, eles (criminosos) vão se aprimorando. Em uma abordagem de rotina, com certeza, os policiais rodoviários dificilmente localizariam essa droga”.
Além da droga, Biazon explica que os ocupantes do veículo, José Roberto Texeira e Ronaldo Souza Rodrigues, que estão presos desde a madrugada de terça-feira, também podem responder pelo crime de adulteração de chassi.
“Com a criação desse fundo falso, foi lançado um número de chassi diferente do chassi constante no original”, afirma. “Normalmente, o que ocorre nesses casos é que eles (criminosos) vão até o Paraguai e trocam o veículo por droga”.