Tribuna do Leitor

VIDA DESAPROPRIADA


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No livro As vidas de Chico Xavier, a uma certa altura, ele cansado e apavorado com a enormidade do trabalho que lhe era exigido, de escrever centenas de livros, depois de ter escrito uma centena, perguntou ao seu mentor Emanuel, se ele não poderia se valer do direito do livre arbítrio que Deus nos dá, para desistir da tarefa e viver sua própria vida e lhe foi dito que não, ele não poderia porque sua vida fora desapropriada para que ele pudesse se dedicar ao seu trabalho, escrever livros divulgando a doutrina espírita.

Aí foi que me ocorreu o pensamento de que temos nós, aqui em Bauru mesmo, alguém cuja vida também foi desapropriada, não para escrever livros, mas para se dedicar ao próximo com exclusividade absoluta, sem nem um tipo de vida própria, ele nunca viveu somente a sua, viveu e vive ainda, graças a Deus, a vida de todos os que precisam dele.

Ele, como Chico Xavier, não se casou, não se vinculou a nenhuma ambição pessoal, teve um emprego modestíssimo e somente dele usou para sobreviver e até se privando de tudo o que pode se privar, para cumprir a sua tarefa de dedicação total ao próximo.

Renunciou tranquilamente a uma vida própria e tornou sua a vida de todos os necessitados que pode acolher e assistir em sua longa e profícua Vida que Deus tem preservado, em favor de todos aos que dele ainda necessitam para viver a aprender o que seja a verdadeira e legítima caridade. Todos aqueles que leram o livro a que me refiro ou que tão somente conheçam Bauru e a Sociedade Beneficente Cristã, sabem que eu me refiro ao iluminado espírito cujo corpo carnal atende pelo nome de Sebastião Paiva.

Isolina Bresolin Vianna

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