A Câmara Municipal, ao menos vereador indivualmente, anunciou que o projeto de implantação do parquímetro para o controle do horário de estacionamento de veículos no centro da cidade está pronto, só restando sua instalação para o início do funcionamento. Aliás, será melhor dizer sua reinstalação, porque já o tivemos em outra época com o sistema atuando por período inferior ao tempo de vigência do contrato com o município por conta da sua rescisão imposta pelo fracasso do propósito. O motivo do insucesso do parquímetro foi comentado na edição de 24/07/2009 do Jornal da Cidade.
A máquina fiscalizadora do horário de permanência do veículo imobilizado atuou satisfatoriamente naquela ocasião e a causa de seus malogro em nada relacionou com problemas de funcionamento, mas associou-se estreitamente com a deformação da índole de um grupo de pessoas, infenso a alguma campanha de conscientização para amoldá-lo à urbanidade. Nada conseguirá ajustar essa matilha ao bom comportamento social, pois a civilidade e o respeito com as coisas alheias “vem do berço”, máxima usada pelas pessoas mais velhas, todavia, apesar de sua veridicidade ser comprovada secularmente, não conseguiu sobreviver até nossa época por razões complexas, sabidamente ancoradas em fatores econômicos e culturais.
O parquímetro, eficiente equipamento de auxílio ao disciplinamento das vagas para estacionamento de veículo, não passa de inofensivo engenho com pequeno corpo de metal sustentando cabeça com cérebro de relógio. Seus olhos mostram o ponteiro do relógio assinalando de 0 a 2h. Quando acionado, o indicador começa a cadenciada marcha no sentido anti-horário, conforme o tempo desejado pelo usuário. Visto à distância perfilado na calçada com os companheiros de fabricação, o conjunto de máquinas parece um pelotão de mostrengos unidos pelo laço da irmandade, pois, foram paridos na mesma linha de produção, mas de perto, é um ET frágil e simpático com a postura inanimada para servir os seres humanos. O parquímetro não está preparado para enfrentar em igualdade de condições a fúria do vandalismo e a imaginação nociva curvada para enganá-lo.
A alimentação do parquímetro, então com moedas de 5 e 10 centavos garantindo a manutenção econômica do sistema, foi envenenada com outro produtos metálicos nele introduzido no ensejo de ludibriar o engenho. E mais, de vez em quando, aparelhos eram criminosamente danificados ou arrancados para saciarem a voracidade dos devastadores da noite.
Ninguém sabe, por ora, se a máquina anunciada pelo vereador conserva a estrutura das antigas ou recebeu aperfeiçoamento de sorte a torná-la mais segura contra seus perversos inimigos. Por isso, a questão deveria ser debatida em audiência pública, como aconteceu com a pré-implantação dessa máquina em outros tempos, descortinando à população interessada a possibilitar de conhecer o aparelho e condições outras em torno dele, como o sistema de funcionamento, custo do contrato com a empresa proprietária, estimativa de arrecadação e outras minudências para o cálculo do custo-benefício da implantação. Antes que essa providência aconteça ou não venha acontecer, uma coisa é certa: o parquímetro funcionará harmonizado com os atuais agentes de trânsito mantidos pela Emdurb porque eles serão os fiscais do horário e os autuadores dos motoristas infratores, o que se conclui com simplicidade que a despesa da empresa municipal dobrará com o funcionamento do sistema e, certamente sem majoração de sua receita, o que será lastimável no instante em que a Emdurb comemora seu melhor momento econômico, com indicação de superávit nos balanços contábeis, situação não vivenciada há tempos e que se tornou uma doce realidade, notadamente levando-se em conta a falta de elastério na sua fonte de arrecadação.
Se o parquímetro for implantado ao desconhecimento da população em debate público, uma incógnita em relação à sua utilidade e economicidade ficará no ar, com tendência e reprovação pela coletividade que tem razão sobrando para esperar que o Município gaste bem o pouco dinheiro disponível, fato que parece estar acontecendo. E sem qualquer bazófia.
Alfredo Enéias Gonçalves d´Abril é professor universitário aposentado