Política

Sessão reconcilia Tuga e seu ex-vice

Por Nélson Gonçalves | Com Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O discurso seguido de abraço e beijo no rosto traduziram a cena de reconciliação política entre o ex-prefeito Tuga Angerami (sem partido) e o vice em sua gestão, o agora vereador Renato Purini (PMDB), ontem à tarde, na Câmara Municipal de Bauru, durante a sessão de julgamento das contas de 2007 da prefeitura.

Renato Purini foi à Tribuna da Câmara para dizer que estava, de sua parte, enterrando as divergências políticas que o afastou de Angerami. Ao concluir o discurso, Tuga se levantou, abraçou Purini e lhe deu um beijo no rosto, uma cena que retoma longo período de distanciamento entre ambos, gerado por rompimento durante o mandato passado.

O vereador disse que não guardava ressentimentos, mas fez questão de lembrar que se sentiu prejudicado pela forma como foi conduzida por Tuga, então prefeito, a crise enfrentada por Purini ainda quando este presidia a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), à época, entre 2005 e 2006. “Pessoalmente, nunca tivemos problemas. Mas a conjuntura política do momento, as vontades políticas, trouxeram algumas condições”, observou. “Aconteceram alguns problemas e acabei saindo do governo”, lembrou.

O vereador, atual líder do prefeito Rodrigo Agostinho na Câmara, analisou a opção de Tuga por sanear as dívidas da cidade. “Eu entendia que havia possibilidade de fazer algo mais”, opinou. “Mas quando você assumiu, tinha uma dívida de R$ 30 milhões a pagar. Quando saiu, deixou R$ 30 milhões para investir”, ponderou em seguida.

Purini assumiu a Emdurb e, logo no início da gestão, em 2005, viu sua pretensão de terceirizar o serviço de coleta de lixo abortado por Tuga. O então prefeito chegou a desautorizar a decisão do vice, que como presidente da empresa publicou decreto de emergência para contratar o serviço. A crise se arrastou e, meses depois, o chefe do Executivo mudou os planos relacionados à pretendida terceirização.

O então presidente da Emdurb reclamou de não contar com o respaldo do prefeito e de ter se submetido à fritura quando foi levantada dúvida em relação à suposta relação entre a terceirização e o financiamento de parte da campanha eleitoral do período. Ontem, após a sessão, o ex-prefeito Tuga Angerami confirmou que não se encontrou mais com o atual vereador do PMDB depois do episódio.

Purini disse, em seu discurso na sessão de julgamento de ontem, que aprendeu a separar as questões e a compreender que, em política, o “inimigo de ontem pode ser o companheiro de amanhã”, lição que ele afirmou ter sido transmitida por Tuga. “Temos que olhar sempre em frente, não guardar mágoas”, finalizou.

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