Politicando

“A moribunda”


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Na pequenina cidade interiorana, a única diversão era um cinema improvisado no barracão cedido por um fazendeiro, que havia sido tulha de café. Nele, uma vez por semana passavam um filme, com um velho projetor utilizado pelo “gerente” do cinema.

Como não havia cartazes, o alto falante da igreja é que anunciava o filme da semana, logo na segunda-feira, quando também se reunia a Câmara Municipal de apenas meia dúzia de vereadores, provincianos e moralistas.

Quando o alto falante anunciou o filme “A moribunda”, foi uma correria danada para reunir a Câmara e impedir que aquela "indecência", aquela "imoralidade" fosse passada na tela do cinema da cidade.

"Onde já se viu, deve ser filme imoral e indecente, aqui não vamos permitir que passe esse filme “Amor e bunda”... Pois foi assim que entendeu o pessoal da cidade, e os vereadores, inclusive.

Relato de Isolina Bresolin Vianna

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